Paralelas
Esta postagem foi publicada em 19 de dezembro de 2017 e está arquivada em Paralelas.

Autoconfiança e soberba

Como pode ser tênue a linha que separa duas coisas tão distantes em significado – a autoconfiança e a soberba.

Outro dia vi uma mulher dando “piti” na fila do raio-X no aeroporto. Pudera! Não podia haver mais penduricalhos nela para apitar no tal aparelho! Aí ela começou a se despir dos metais, reclamando do transtorno, atrasando o andamento da fila. E ela era cheia de pose, literalmente mandou que os funcionários subissem a bagagem de mão para a esteira, porque não podia molestar a coluna. Da mesma forma, fez com que descessem a bagagem (certamente com mais de cinco quilos), porque ela se declarou incapaz de fazê-lo.

Depois de se recompor com os acessórios, apareceu momentos mais tarde no portão de embarque, com ares de superioridade, reclamando em voz alta do tratamento a que foi exposta. Nunca teria viajado de avião, a ponto de desconhecer os procedimentos? – eu me perguntava, ou seria pura empáfia?

Em contrapartida, lembro do dia em que cruzei com uma senhora numa loja popular da cidade. Eu estava sendo atendida pela vendedora, e ela nos interrompeu, da seguinte forma: – “Com licença, me permitem só uma pergunta: A senhora já comprou antes esta marca de roupa de cama que está levando? A qualidade é boa? Preciso dar um presente e não quero decepcionar” – concluiu ela. Pela indumentária simples, mas bem composta, percebi que comprar aquele presente era algo muito importante para ela, talvez até com algum esforço de sua parte. Recomendei-lhe que comprasse sem medo de errar, pois realmente já conhecia a marca. Ela despediu-se agradecida e ficou aguardando ser atendida por outra vendedora.

Aquela senhora mostrou-se confiante em dirigir-se a uma estranha, pedindo licença para fazer sua pergunta. Foi elegante na sua simplicidade, e nada inoportuna.

Já vi muitos destes extremos, e também em condições opostas: gente de muitas posses revelando uma simplicidade encantadora e grande respeito pelos semelhantes mais humildes; por outro lado, pessoas de modestas condições, cheias de amargura, como se estivessem em constante autodefesa, e para isso precisam sair agredindo a quem consideram “a classe dominante”.

Esta reflexão me veio a propósito do Natal que se aproxima, da mensagem que o nascimento de Cristo traz em si: vir ao mundo num berço humilde ou de ouro não define a trajetória de ninguém, e que as aparências pouco dizem sobre as pessoas.

Feliz e Abençoado Natal!

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