Foi realizada, na segunda-feira, mais uma audiência do processo judicial que apura a morte de Eloisa Freitas de Moraes (foto), 56 anos. A vítima ficou cerca de uma semana desaparecida, em março deste ano, até ser localizada no final de uma rua do bairro Jardim, onde morava. Segundo as informações da Polícia Civil, Eloísa foi atingida por 38 facadas.
Um casal foi preso, no início da investigação, acusados de latrocínio contra a vítima (roubo seguido de morte). Adriana Moreira dos Santos e Daniel da Silva estão detidos por mandado de prisão preventiva e prestaram depoimento na audiência de segunda-feira. As informações do depoimento, contudo, não são divulgadas no sistema de consulta processual. Também prestou depoimento outra pessoa detida pelo crime, em mandado de prisão preventiva. Trata-se de Kennedy dos Santos Pires.
Recentemente, o processo que apura a morte de Eloísa sofreu uma alteração, e passou a tratar de homicídio. Foi feito um aditamento à denúncia pelo Ministério Público, aceito pela juíza Lizandra dos Passos em 27 de outubro. No despacho, a Promotoria também solicitou a prisão preventiva de Kennedy, o que foi aceito. Segundo a decisão, depoimentos do processo indicam o envolvimento religioso do terceiro preso no crime. O decreto informa que Daniel declarou em seu interrogatório que o crime foi cometido por Adriana e Kennedy, motivados por sacrifício religioso. “Demais disso, em que pese Adriana tenha relatado apenas o envolvimento de Daniel no presente caso, seus relatos não podem ser levados em consideração, na medida em que, durante as investigações apresentou estranha modificação da sua versão: primeiramente, imputou o delito a terceiros, mas após, trouxe nova versão querendo fazer crer que o crime não fora motivado por rituais religiosos. Além disso, na investigação policial, foram trazidos elementos por vizinhos do indiciado Kennedy indicando que, na noite dos fatos foram ouvidos gritos de uma mulher, nas proximidades da casa de Kennedy e que, no dia seguinte, avistaram uma sacola com sangue numa lixeira em frente a sua casa, a qual desapareceu momentos depois”, acrescentou a magistrada, no despacho disponível no processo.
Diante disso, a juíza considerou a prisão preventiva necessária. Além disso, ressaltou que já há envolvimento do acusado em outros processos que apuram sacrifício humano supostamente motivado por crenças religiosas, indicando a necessidade da medida cautelar. A prisão preventiva foi cumprida no final de outubro. Na audiência de segunda-feira, a instrução do processo, ou seja, a fase de coleta de provas foi considerada encerrada. Com isso, teve início a fase de apresentação de memoriais, documentos em que as partes resumem as suas convicções sobre a ação em andamento. O Ministério Público deverá começar a apresentação dos documentos, depois as defesas de cada um dos réus.


