Cultura e Lazer

Papai Noel por vocação: a história do taquarense voluntário Daniel Ferreira

O que era para ser uma participação voluntária para animar uma festa de Natal tornou-se uma grande paixão. O consultor
Daniel em atividades com crianças do interior de Taquara. Divulgação

O que era para ser uma participação voluntária para animar uma festa de Natal tornou-se uma grande paixão. O consultor de vendas Daniel Ferreira, 43 anos, explica os motivos de tanto carinho por ser Papai Noel: “Quando você vê a felicidade de uma criança, aquela emoção pura, não tem dinheiro que pague. Só quem faz isso sabe o sentimento que nos proporciona”, reflete. Desde 2006, faz atividades em vários bairros, escolas e festas.

Natural de Marcelino Ramos, na região Norte do estado, Daniel atualmente mora em Novo Hamburgo, mas viveu 39 anos em Taquara com a mulher Janaina Valle, com quem está casado há 21 anos e tem o filho João Vitor, 13 anos. A primeira vez como Papai Noel, há 11 anos, foi a partir de um acordo com os amigos Paulinho e Toninho Rosa, da Empresa Car, que promovia festas para famílias carentes no bairro Empresa. “Peguei gosto pela coisa”, conta, lembrando ter recusado pagamentos para animar festas particulares.

Outro convite na época foi da cunhada Carla Silveira, então diretora da Escola Municipal de Ensino Infantil Tia Bete, no bairro Santa Maria. A roupa usada nas primeiras vezes foi emprestada de um amigo, mas Daniel nunca a devolveu. Ser Papai Noel foi algo natural para ele, sem nervosismo. “Gosto muito de crianças, então foi tranquilo”, afirma.

No último Natal, acabou atrasando a ceia em família por que tinha muitos pedidos de entregas de presentes em residências e atividades que o requisitaram. Em 2016, foram várias festas, 12 escolas e muitas casas visitadas, tanto que é impossível quantificar o número de crianças alcançadas. “Onde precisar do Papai Noel, eu vou.” Muitos lugares são de última hora, como lembra. Os únicos agendados são os eventos, como a festa para as crianças do Quilombo do Paredão, realizada hoje.

O calor da roupa é superado pela satisfação em fazer o bem. “São crianças que realmente acreditam no Papai Noel. O brilho nos olhos delas é algo que não tem explicação”, pontua. As famílias também ficam emocionadas ao ver a alegria proporcionada aos filhos, realizados com pacotes de doces, que, embora simples, talvez não tivessem condições para comprar. As guloseimas são adquiridas por doação, em algumas vezes com recursos próprios e ajuda da mãe, dona Zila, e dos irmãos.

A família o apoia na ação. A mulher, inclusive, cuida das peças de roupa do Papai Noel, lavando-as a cada vez que o marido chega a casa, para que possa ser usada novamente na atividade seguinte. João também é parceiro. “Tento mostrar para ele o quanto é importante fazer algo espontâneo, sem interesse em receber algo em troca. Com isso, recebemos o carinho de verdade.” Quando o filho era criança, Daniel conta que tentava manter o mistério sobre a identidade do Papai Noel, sendo descoberto aos poucos.

O maior retorno para ele é transmitido nos abraços, beijos e agradecimentos das crianças. “É uma energia muito gostosa. Fico feliz em poder proporcionar isso”, externou, ao lembrar que o Natal, para ele, sempre significou união, carinho e amor.

Daniel com a esposa Janaína e o filho João. Especial/Kátia Mello