
Responsável pela gestão do Hospital Bom Jesus, de Taquara, desde o último dia 20 de dezembro, a Associação Beneficente Silvio Scopel realizou, nesta quinta-feira, uma reunião pública de prestação de contas. De acordo com a entidade, este tipo de balanço será feito rotineiramente, pois a transparência é um dos principais nortes da gestão. A Associação está provisoriamente à frente do Hospital, devido a uma liminar da Justiça Federal que afastou o Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) da casa de saúde. O prazo é de 120 dias, passível de prorrogação. A Associação também manifestou o interesse em participar do processo de chamamento público que a Prefeitura de Taquara terá de fazer para a escolha da nova entidade gestora.
A reunião foi aberta pelo diretor-geral do Hospital, Ricardo Pigatto, que destacou o fato de a nova mantenedora não possuir fins lucrativos, se constituindo em uma instituição de saúde que trabalha na gestão de outras unidades da área. Explicou, no entanto, que o objetivo da Associação junto ao Hospital de Taquara não é trabalhar o nome da entidade, mas sim do Hospital Bom Jesus, para resgatar a força e a credibilidade da casa de saúde junto à comunidade. Para tanto, destacou que toda a estratégia de comunicação do hospital será trabalhando o nome da instituição.
Ricardo apresentou a estrutura de trabalho dentro do hospital, destacando que, ligados à diretoria-geral, existem as assessorias jurídica, contábil e de imprensa. Depois, há cinco gerências, de hotelaria, enfermagem, suprimentos, médica e de administração. Os responsáveis por cada uma destas gerências foram apresentados (confira nesta matéria) e detalharam as situações a serem corrigidas em cada um dos setores.
A apresentação desta quinta-feira teve a presença de membros do Conselho Municipal de Saúde e de vereadores, que também fizeram manifestações. A imprensa local ainda fez questionamentos à nova direção do hospital, visando a esclarecer vários pontos que foram divulgados nos últimos dias, após as turbulências envolvendo a saída do ISEV.
Panorama fez alguns questionamentos, que foram esclarecidos por Ricardo Pigatto (a seguir em pontos):
- Com relação aos salários dos funcionários, o diretor-geral esclareceu que, conforme própria decisão já divulgada pelo Panorama, a responsabilidade da Associação Silvio Scopel é a partir de 20 de dezembro. Tanto que, segundo o diretor, já foi pago o salário dos 11 dias do último mês. Com relação aos salários deixados em atraso pelo ISEV, que são parte de novembro, os 19 dias de dezembro e o décimo-terceiro salário correspondente, o diretor informou que a instituição é solidária com os funcionários, mas o pagamento cabe ao ISEV.
- Segundo Pigatto explicou, existe uma determinação judicial de bloqueio de R$ 1,121 milhão, contudo, estes valores ainda não foram obtidos nas contas do ISEV, o que também corrobora recente informação prestada ao Panorama pela promotora Ximena Ferreira. Se tivesse entrado este valor, parte poderia ter sido pago aos funcionários.
- O diretor-geral acrescentou que a assessoria jurídica da Associação está auxiliando, junto com o SindiSaúde, para que os funcionários possam conseguir liberar as carteiras de trabalho e os valores provenientes dessa rescisão. Quanto às contratações de profissionais, Pigatto assegurou que todas acontecerão por mérito dos funcionários. Alguns deles que estavam gozando de férias ou afastados foram orientados a procurar o ISEV, para serem encaminhados à nova gestão, verificando a continuidade ou não junto ao quadro de profissionais.
- Com relação à taxa de administração solicitada pela Associação Silvio Scopel no processo judicial, de 6%, Pigatto informou que o recurso é destinado à manutenção da entidade gestora e costumeiramente cobrado neste tipo de gestão. Acrescentou que o percentual, a incidir possivelmente junto aos valores recebidos do Sistema Único de Saúde (SUS) e repassados pelo Estado, ainda não foi fixado, o que depende de decisão da Justiça.
- No tocante ao encerramento do Hospital de Cerro Branco, mantido pela Associação, Pigatto esclareceu que, naquele município, a entidade verificou que não teria condições de manter o hospital aberto, pois as receitas eram menores do que as despesas e as dívidas vinham se acumulando. Antes de ficar impagável, a entidade resolveu fechar o hospital. Se essa viabilidade não for verificada em Taquara, o diretor esclareceu que a entidade não hesitará em apontar a situação.
- No que se refere às escalas médicas, o diretor-técnico Renato Menzel assegurou que estão todas reorganizadas, com as assistências cumpridas, em um esforço dos profissionais médicos da região, que, conforme Menzel, estão motivados a retomar os atendimentos no hospital, acreditando no novo momento vivido pelo Hospital Bom Jesus.
As gerências apresentaram, durante a reunião, um levantamento das principais falhas a serem corrigidas.
Gerência de Hotelaria
Melissa Fuhrmeister
Gestão de Acessos
– Falta de segurança nos acessos ao hospital;
– Fluxo de acesso dos pacientes;
– Satisfação do paciente e ouvidoria;
– Humanização/Empatia
Higienização
– Equipamentos, materiais e processos inadequados;
Manutenção
– Manutenção preventiva
– Desconformidades com a RDC050 (normas técnicas da área)
Rouparia
-Falta de enxoval
Gestão de Leitos
– Melhorias na utilização
Gerência de enfermagem
Jameyson Macedo
Serviço de Enfermagem
– Perda da perspectiva pessoal e profissional
– Acolhimento
– Humanização
– Dimensionamento profissional
– Qualificação e educação continuada
Gerência de Suprimentos
Eliane Conrad
Farmácia
– Sistema de informação
– Estoques em locais diversos
– Falta de padronização de sais
– Quantidades em estoques incorretas
Compras/Almoxarifado
– Dificuldade com fornecedores
– Falta de planejamento nas solicitações internas
– Falta de planejamento nas compras
– Falta de comunicação com outros setores e pessoas
Nutrição, Cozinha e Copa
– Compras sem planejamento antecipado
– Atraso na entrega de alimentos
– Falta de equipamentos
– Instalações com problemas
– Acomodações
Gerência Administrativa
Luiz Carlos Santos
Psicologia organizacional
– Falta de testagem psicológica
– Atraso de pagamentos
– Falta de gestão das equipes
– Carga-horária reduzida da psicologia organizacional (20 horas)
Segurança do Trabalho
– Descanso em local inapropriado
– Equipamentos sem EPIs.
– Dispositivo de segurança (perfuro cortantes)
Setor administrativo
– Dificuldade na emissão dos alvarás
– Herança da inadimplência
Setor de Tecnologia da Informação e Conhecimento
– Falta de capacitação/multiplicadores/suporte
– Falta de estoque de itens de informática básicos (mouse, teclado, fontes, memórias, HD)
– Equipamentos com mais de cinco anos de uso
– Licenças de antivírus
– Falta de processos
Auditoria de enfermagem
– Inexistência de processos e controles.
Departamento Pessoal/RH
– Inexistência de procedimentos operacionais padronizados
– Falta de sistema de cadastros
– Perda de informações do cartão-ponto
Faturamento
– Falhas no cadastro intitulado CNES (de médicos e estabelecimentos)
– Falta de rotinas
– Falta de fluxos de operações e informações
Gerência Médica
Renato Roberto Menzel
O gerente apresentou as áreas de atuação do hospital, focadas na clínica médica, pediatria, obstetrícia, terapia intensiva, cirurgia geral e de especialidades e infectologia.


