O Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) pediu à Justiça Federal para retornar à gestão do Hospital Bom Jesus, de Taquara. A notícia foi revelada na movimentação processual da ação civil pública que culminou no afastamento do Vida, ainda em dezembro. Em uma decisão divulgada na tarde desta quarta-feira (14), o juiz Norton Benites determinou prazo de cinco dias para que todas as partes do processo se manifestem sobre o pedido do ISEV e, também, em relação às irregularidades narradas pelo Vida na atual gestão do hospital.
Em dezembro, após pedido do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público Estadual (MPE), o Instituto Vida foi afastado do hospital por alegada deficiência na prestação do serviço hospitalar. Desde então, o Hospital Bom Jesus tem sido administrado pela Associação Beneficente Silvio Scopel, entidade nomeada pela Justiça, após indicação do Ministério Público. O prazo concedido em liminar para que a Silvio Scopel fique na gestão do hospital é de 120 dias, o que venceria em 20 de abril, mas o período é passível de prorrogação por 60 dias.
No pedido entregue à Justiça, o ISEV pede a revogação da decisão que o afastou e determinou a intervenção no Hospital Bom Jesus. Segundo o despacho do juiz Norton, o Instituto Vida alega que “a intervenção judicial na administração se mostrou danosa do que a manutenção do ISEV na gestão do hospital”. O Vida narrou “que a interventora nomeada, através de gestão temerária, tem colocado a população em risco de desassistência, sem olvidar o dano ao erário público”.
Entre as supostas irregularidades, o Vida citou: ausência de medicamentos desde 15 de janeiro; não realização de cirurgias eletivas; aparelhos de RX e de tomografias inoperantes; ausência de médico obstetra desde 15 de janeiro; suspensão de cirurgias obstétricas; falta de profissionais de enfermagem; falta de medicamentos, de rouparia hospitalar e de insumos básicos; falta de insumos para a UTI; atendimento oncológico prestado de forma insuficiente; interdição dos serviços de endoscopia e colonoscopia.
Ao analisar o pedido, o juiz Norton entendeu ser necessário ouvir as demais partes do processo, a fim de resguardar os princípios do contraditório e da ampla defesa. Por isso, o magistrado deu prazo de cinco dias para manifestação do MPE, MPF, governo do Estado e Prefeitura de Taquara. A Associação Silvio Scopel também terá prazo de cinco dias para se manifestar a respeito dos documentos apresentados pelo ISEV.
A reportagem do Panorama buscará contato com a Silvio Scopel para se manifestar a respeito das supostas irregularidades apontadas pelo Vida.


