O grupo Rapel do Vale divulgou, nesta segunda-feira (26), uma nota de esclarecimento sobre o acidente ocorrido no último sábado (24), que resultou na morte do morador de Taquara Idinês Tondin (foto), 27 anos. O fato aconteceu em Vespasiano Corrêa. Segundo o grupo, a intenção do esclarecimento é desmentir “falsas notícias veiculadas nas mídias sociais”. O grupo lamentou a perda de Tondim e anunciou que haverá uma homenagem a ele com um rapel na Cascata dos Italianos, em Igrejinha, no dia 8 de abril.
No texto, os integrantes reforçam que o grupo Rapel do Vale surgiu em 2014, quando um grupo de amigos, já praticante do esporte há anos, resolveu se unir. “Sem fins lucrativos, o grupo colecionou, ao longo desses quatro anos, muitas histórias e novos amigos. Prezando sempre pela segurança, o grupo conta com os integrantes devidamente capacitados para trabalhos em altura pela NR 35 (norma técnica) e primeiros socorros, além de todos os equipamentos de segurança devidamente higienizados e revisados frequentemente pré e pós atividades”, sublinha o texto.
Lembram que o Viaduto 13 é destino do grupo desde a sua fundação, sendo que, por quatro anos consecutivos, foram feitas visitações e rapel quando ainda era permitido. O local do acidente, a cascata subterrânea chamada de Garganta do Diabo também foi explorada pelo grupo em todas as vezes em que as visitações foram feitas. “No sábado, um grupo formado por aproximadamente 13 pessoas realizou o trekking até a cascata subterrânea, onde, por volta das 14 horas, iniciaram-se as atividades de descidas pela cascata. Em duplas, as descidas ocorreram até que Idinês se preparou para descer pela segunda vez naquela tarde. Idinês, integrante do grupo Rapel do Vale, tinha mais de oito anos de experiência nesse tipo de atividade, bem como, a qualificação para exercê-la. Após iniciar a sua descida, o grupo foi surpreendido pelo início da chuva no local”, diz a nota.
O texto prossegue: “no final da descida, a luva da dupla que estava com Idinês ficou trancada no freio oito e imediatamente ele operou o resgate com êxito, retirando-a do contato direto com o fluxo de água da cascata. Já na parte inferior do túnel, ao iniciar o percurso até o final, onde se dá pela horizontal através de caminhada, Idinês, que estava ancorado à sua dupla, foi surpreendido pelo rápido aumento do nível da água e, ao tentar atravessar, acabou escorregando e batendo com a cabeça em uma pedra, ficando desacordado. Idinês estava usando todos os equipamentos de proteção, incluindo capacete, porém, a batida se deu no supercílio direito, lugar este onde o capacete de segurança não protege. Idinês ficou desacordado e submerso em cerca de 50 centímetros de água, quando a própria equipe de rapel foi prestar os primeiros socorros”, contam os membros do grupo.
“O local é de difícil acesso, dificultando assim o socorro. Após acionados os órgãos competentes, como Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), bombeiros e polícia, o único a prestar socorro foi o Samu de Guaporé, que chegou através do condutor Laerte Copini juntamente com o técnico de enfermagem Giovani Vidmar, que, devido ao difícil acesso e ao tempo de algum integrante do grupo chegar a um local onde pudesse ser feito o chamado de socorro, chegaram ao local três horas depois do acidente ocorrido. Ao chegar no local, realizaram todos os procedimentos de socorro cabíveis, sendo extremamente profissionais e ágeis”, diz o texto, que fez um agradecimento ao Samu. O grupo relata que a Brigada Militar chegou ao local às 3 horas, enquanto a Polícia Civil às 4 horas e os bombeiros às 6 horas da madrugada, “quando foi finalmente realizado o resgate da vítima, que estava desde a tarde do dia 24 esperando por atendimento. O resgate foi realizado por dois policiais civis, dois policiais militares, dois bombeiros e três integrantes do grupo Rapel do Vale”.


