O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) divulgou, nesta sexta-feira (6), uma nota oficial criticando a Prefeitura de Taquara pela gestão da saúde. Segundo a entidade, o Posto Central 24 Horas “apresenta graves problemas técnicos e administrativos”. O Sindicato fez vistoria nesta quinta-feira (5) no posto e afirma ter constatado os problemas. A Secretaria de Saúde de Taquara rebate as acusações do Simers e afirma que as denúncias vêm ocorrendo devido a um profissional terceirizado que está sendo desligado e promovendo essa situação como retaliação.
No texto, o Simers afirma ter constatado que pequenas cirurgias e procedimentos são precarizados pela falta de materiais básicos. Diz que os pacientes que precisam de cantoplastias, drenagem de abscessos e pequenas suturas podem ficar sem atendimento pois haveria insuficiência de pinças, bisturis, cabos de bisturi, tesouras e tentacânulas.
Além disso, segundo o Simers, o quarto dos médicos plantonistas deixaria a desejar. O sindicato afirma que os profissionais trabalham em regime de 12 horas e, eventualmente, de 24 horas, mas não haveria cama, chuveiro e a torneira não funciona adequadamente, bem como não seriam disponibilizados utensílios para uma refeição ou lanche. “Existe somente um colchão no chão e um sofá”, disse o diretor do Simers, André Gonzales.
O Sindicato afirmou que o posto atua com dois médicos durante o dia e um à noite – exceto nas segundas-feiras, quando conta com um médico a mais durante o dia. Por conta dessas condições, segundo a entidade, há relatos de profissionais que, para descansarem nos seus intervalos, puxariam os colchões das próprias macas dos pacientes e as colocariam no chão, ou que deitariam na cadeira do dentista. “Quando não há outra opção para descansar, alguns médicos utilizam o próprio carro”, destaca Gonzales.
“Não pago médico para dormir”, diz secretário Petry
Contatado pela reportagem do Jornal Panorama para se manifestar a respeito, o secretário municipal de Saúde de Taquara, Vanderlei Petry, disse que se surpreendeu pelo tom das informações do Simers, entendendo que as colocações são uma “afronta à sociedade taquarense”. Petry disse que “não paga médico para dormir”, que a vistoria foi realizada fora do horário administrativo da Secretaria de Saúde e negou qualquer hipótese de falta de materiais básicos.
O secretário explicou que não contrata médicos individualmente para o Posto 24 Horas, mas sim possui um convênio com a empresa Única Saúde S/A para o fornecimento de profissionais. Ou seja, a administração municipal contrata horas mensais desta empresa para a utilização no Posto 24 Horas. Sobre as escalas, Petry diz que geralmente são de 12 horas, mas que se ocorrer de um médico atuar por 24 horas, isso é uma questão que cabe à Única Saúde resolver com os profissionais que contrata.
Petry acrescentou que há uma sala reservada aos médicos para fazerem o seu intervalo, conforme a legislação, com um sofá. Contudo, não há no local, e nem haverá, uma cama, pois o secretário disse que os médicos não são contratados para dormir. Sobre a conduta divulgada pelo Simers, de médicos puxarem colchões das macas dos pacientes e colocarem no chão, Petry reprovou a atitude, mais uma vez reforçando que os médicos têm os intervalos assegurados para descanso, mas não para dormirem, pois isso seria injustificável perante os órgãos de controle e à população.
Com relação à falta de materiais básicos, o secretário negou que isso ocorra, assegurando que os procedimentos informados pelo Simers têm sido realizados normalmente no local. O secretário afirmou que a medida do Sindicato estaria ocorrendo devido a denúncias de um profissional terceirizado, que estaria sendo desligado e promovendo este tipo de retaliação.


