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De 2005 a 2017, Prefeitura de Parobé gastou R$ 1,3 milhão em diárias

Pressionado por questionamentos, prefeito interino Moacir Jagucheski mandou para a Câmara projeto para reduzir em 50% os valores das diárias.


Pressionado por questionamentos feitos, principalmente, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), após a saída da sigla da base de apoio ao seu governo, o prefeito interino Moacir Jagucheski (PPS) tomou uma medida nesta semana: encaminhou à Câmara de Vereadores projeto de lei para reduzir em 50% os valores das diárias pagas em viagens a servidores públicos. O texto ainda está em análise no Legislativo, enquanto membros da administração se defendem em relação ao uso das diárias e o próprio prefeito explica os gastos. Panorama fez um levantamento em relação às últimas gestões de Parobé e, desde 2005, os gastos da Prefeitura com diárias somam R$ 1.352.037,18 (veja tabela acima).

Neste período, foram duas gestões da ex-prefeita Gilda Kirsch (PTB), de 2005 a 2008 e de 2009 a 2012. O governo da petebista gastou, nos dois mandatos, R$ 556.039,18. Bem próximo disso chegou o governo de Cláudio Silva (PT), que, em quatro anos, utilizou R$ 549.661,00. Já a administração interina de Moacir Jagucheski (PPS) gastou, apenas no primeiro ano de mandato, R$ 246.337,00. Em média, nos 12 anos de governo analisados, a prefeitura gasta R$ 112.669,77 em diárias anualmente. Os dados foram obtidos através de consulta ao sistema do Tribunal de Contas do Estado (TCE), publicados na internet, com a busca pelos valores gastos na rubrica “Diárias”.

Na segunda-feira, a vereadora Maristela Rossato (PT) participou do programa Painel 1490, da Rádio Taquara, e criticou o gasto considerado excessivo em diárias por parte da administração interina de Moacir. Levantou gastos de servidores que viajaram a Brasília e até a outros países. Questionou, por exemplo, o fato de secretários municipais realizarem viagens a Brasília com a justificativa de buscar recursos, dizendo que, ela própria, conquistou recursos por emenda parlamentar para Parobé sem precisar viajar à capital federal. Citado pela vereadora, o secretário Valdenir Martins (PMDB), que usou cerca de R$ 14 mil em diárias, também participou do programa Painel 1490, da Rádio Taquara, nesta semana. Defendeu a necessidade de ir à capital federal buscar recursos para o município e citou a aproximação dele com ministros do governo, lembrando que a administração federal, atualmente, tem como partido titular o PMDB. Além disso, Martins criticou que a vereadora petista não fazia este tipo de questionamento quando estava no governo e afirmou que o PT também se utilizou de diárias quando esteve à frente da administração de Parobé, inclusive a própria vereadora teria utilizado, segundo afirmou Martins.

O prefeito interino de Parobé, Moacir Jagucheski, já se manifestou, tanto à Rádio Taquara quanto ao Jornal Panorama, defendendo que grande parte das diárias utilizadas por seu governo foi para a qualificação de servidores. Afirmou, ainda, que as suas viagens a Brasília resultaram em recursos na ordem de R$ 20 milhões, através de emendas com deputados e contatos nos ministérios para destravar projetos. Segundo a justificativa do projeto encaminhado à Câmara pelo prefeito interino, “os servidores continuarão a perceber tais diárias a fim de que possam manter-se atualizados diante das rotineiras mudanças na legislação brasileira”. Acrescenta que a medida não afetará “a busca incessante de recursos junto aos governos estadual e federal”. “Não se pode proibir que os servidores tenham acesso aos cursos de qualificação. A questão é que deve haver uma escolha de quem vai ser contemplado, verificando qual é a necessidade prioritária”, disse, em seu discurso na tribuna, o vereador Marcelo Pereira (PDT).