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Abicalçados: 84% das fábricas podem suspender atividades se fornecimento de insumos não se normalizar

Entidade defende "um posicionamento de todos para retornar a normalidade".

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados divulgou, nesta terça-feira (29), manifestação preocupada com os desdobramentos e consequências da greve dos caminhoneiros no abastecimento de matérias-primas e insumos necessários à produção. Em um levantamento feito entre as principais empresas produtoras, correspondendo a 70% da produção anual do setor, a Abicalçados constatou que 49% da força de trabalho da indústria calçadista está ociosa em razão do desabastecimento. Na outra ponta, cerca de 32% dos embarques de calçados prontos, correspondendo a um mês de atividades, encontra-se em depósito nas fábricas, aguardando condições de tráfego para encaminhamento aos compradores.

Segundo a Associação, caso o abastecimento de insumos não se normalize, 84% das empresas informou que serão obrigadas a suspender atividades de manufatura na próxima sexta-feira, dia 1º de junho. Caso a situação não se regularize, todas as fábricas serão atingidas, diz o levantamento feito pela Abicalçados. A entidade reforça que o setor possui, no Brasil, 2,5 mil indústrias e mais de cinco mil prestadoras de serviço, com uma força de trabalho estimada em 300 mil pessoas. Em caso de não reversão rápida do atual quadro, o impacto atingirá mais de 230 mil trabalhadores no curto prazo.

“Os prejuízos são incalculáevis e atingem a sociedade: trabalhadores, empresas e governos. Cabe, pois, urgentemente, um posicionamento de todos para retornar a normalidade, para que cada segmento, com desprendimento, cumpra com sua parte em benefício do todo”, diz a nota da Abicalçados, assinada pelo presidente-executivo da entidade, Heitor Klein. “Assim, as rodovias devem ser desimpedidas, os bens ter livre circulação, as empresas operar normalmente e os governos buscar os mecanismos de compensação necessários, sem onerar a já combalida competitividade da economia”, completa o texto.

Por fim, a Abicalçados considera “absolutamente inaceitável o aproveitamento da situação para fins espúrios, seja de caráter pessoal, empresarial ou político. O Estado dispõe de mecanismos para o restabelecimento da ordem e é preciso que se implementem as ações necessárias e eficazes para tanto”, defendeu Klein.