Morreu, na tarde desta segunda-feira (19), em Porto Alegre, o cantor e compositor Talo Pereyra, aos 66 anos. Considerado um dos nomes mais importantes da música regionalista e vencedor de 39 festivais, entre os quais a Ciranda Musical Teuto Riograndense, Talo morreu com problemas respiratórios na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Conceição, em Porto Alegre, onde respirava por ajuda de ventilação mecânica.
Natural de La Pata, na Argentina, Raul Eduardo Pereyra cresceu ouvindo tango, marchinhas militares e música clássica. Veio para o Brasil fugindo do golpe militar na Argentina, em 1976. Se refugiou em Porto Alegre, alugando um quarto em uma pensão da Cidade Baixa. Aproveitou os bares do bairro boêmio para cantar música latino-americana, destacando-se entre músicos que apostavam na MPB. A entrada na música nativista começou com um contrato no CTG 35, onde tocou por três anos. Entre os seus maiores sucessos, estão Quem dá Mais, parceria com Vinicius Brum e Daniel Torres, e Brasilhana, parceria com Robson Barenho.
Talo obteve o terceiro lugar na Ciranda Musical Teuto Riograndense, em Taquara, com a composição “Romance Campesino”, que por pouco não teve a publicação proibida pela censura, como lembrou o parceiro de Talo, o músico Paulo Gaiger, em entrevista ao site G1. Segundo ele, a letra tinha a palavra ‘tesão’ e só foi liberada com a intervenção de um advogado. No mesmo festival, em 1982, Paulo e Talo executaram a música “João Mulato Carreteiro”, que ficou em primeiro lugar.


