O Sindicato dos Sapateiros de Parobé atualizou, nesta quarta-feira (18), os números relacionados às mais recentes demissões no setor calçadista do município. Conforme a entidade, mais de 300 pessoas perderam seus empregos, contando cerca de 230 trabalhadores demitidos pela Calçados Bottero, que fechou um dos seus pavilhões, e a informação do setor de recursos humanos da Calçados Bibi que confirmou ao Sindicato a saída de 70 funcionários no período de dois meses.
“Estamos acompanhando todas as informações e tentando averiguar qual o impacto desta situação”, destaca o presidente do Sindicato, João Pires. Na avaliação dele, a motivação para os cortes não é decorrente da crise econômica. “Se trata de uma ação estratégica destas empresas. Nós visitamos todos os estantes do SICC (Salão Internacional do Couro e do Calçado) neste ano e todos os empresários nos colocaram que o cenário era favorável ao calçado brasileiro”, destacou Pires.
Oficialmente, quando promoveu as demissões, a Bottero informou que a falta de perspectiva de reação da economia obrigou a empresa a fazer os cortes, uma vez que não poderia comprometer a saúde financeira de toda a companhia. Quando surgiram as primeiras informações de cortes na Bibi, já na semana passada, a reportagem do Panorama pediu posicionamento à assessoria de imprensa da empresa, que não enviou manifestação em relação às demissões.
A entidade ressalta que, devido às mudanças provocadas pela reforma trabalhista, todos os desligamentos deixaram de passar, obrigatoriamente, pela homologação do Sindicato. “É preciso que a categoria não fique desamparada neste momento. A homologação garante uma avaliação da entidade perante o pagamento e os trâmites legais para estas demissões”, acrescenta o secretário do Sindicato, Sandro Fagundes.

Francal apresentará a realidade do calçado
A expectativa do Sindicato dos Sapateiros, é que a partir da produção das coleções de primavera/verão, os funcionários sejam realocados novamente em empresas na cidade. Porém, existe a preocupação em garantir que não haja a precarização dos postos de trabalho. “A partir do momento em que eles retornem à indústria, nós estaremos verificando a situação destas contratações. Por isso é de extrema importância que a categoria se faça presente junto ao Sindicato”, salienta o presidente.
A Francal, uma das principais feiras do setor na América Latina, já deve trazer resultados e apresentar qual a realidade do cenário da indústria de calçados para o segundo semestre de 2018. Devido a isto, o Sindicato dos Sapateiros permanece em alerta quanto a estes resultados.


