Geral

Empresário calçadista de Três Coroas diz que carga tributária gaúcha prejudica indústrias

Werner Júnior disse que impostos deixam calçado produzido no estado mais caro.

Está ganhando as redes sociais uma carta de resposta escrita pelo empresário Werner Júnior, presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Três Coroas e diretor-executivo da Werner Calçados. O material foi remetido ao jornal Zero Hora, que publicou reportagem sobre a crise calçadista. No texto, Werner faz críticas à alta carga tributária gaúcha.

Reprodução/YouTube

Segundo Werner (foto ao lado), a crise conjuntural econômica afeta a todos, mas as empresas instaladas no Rio Grande do Sul sofrem muito mais, pelo fato de que o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é maior do que em outros estados. “Veja bem, no RS o ICMS interestadual é de 12% com direito a crédito das matérias-primas. Em Santa Catarina o ICMS é 3%, em MG é 2%, no Nordeste menos de 1% e em SP algo em torno de 4% – no final. Nestes locais, os Estados subsidiam a formação de empregos e renda do setor”, comentou.

De acordo com Werner, essa carga tributária faz com que os calçados feitos no Rio Grande do Sul fiquem em torno de 10% a 15% mais caros do que os dos demais estados, no mercado interno, o que atinge, segundo o empresário, em cheio as pequenas e médias empresas, que não possuem estrutura ou escala para montar filiais em outros estados ou no Paraguai. “Este é um dos principais fatores para as indústrias estarem fechando e diminuindo de tamanho aqui no Sul. Existe o problema econômico de mercado, mas existe este profundo problema estrutural fiscal”, comentou.

Werner acrescentou que os sindicatos da indústria têm trabalhado neste tema desde 2012 com os últimos dois governos, mas não foi obtida uma resposta eficiente e comprometida, que seria uma equiparação de condições de competitividade com as indústrias dos outros estados. “O máximo que conseguimos foi um subsídio ‘ridículo’ que chamam de crédito presumido do ICMS, que não resolve o problema”, avaliou. “Portanto, os últimos governos são conhecedores da situação, e por falta de visão ou por simplesmente só preocuparem-se em ter receita para pagar a folha do mês seguinte, são responsáveis diretos pelos desempregos e pelo esfacelamento da cadeia coureiro-calçadista do RS. Simplesmente o meio politico ‘virou as costas’ para a aflição de um setor que empregava 140.000 pessoas”, frisou. “Pessoalmente, considero isto uma miopia política e econômica gigantesca. Hoje, infelizmente, o RS é o calçado mais caro do Brasil devido à carga tributária e à incompetência pública”, finalizou.