Heres Comes The Sun
Domingo. Estreia da Seleção Brasileira na Copa da Rússia. Embora tivesse posto o despertador para as oito, acordei uma hora antes. Tivera uma noite tranquila, e, estranhamente, não estava frio.
Pus-me de pé, ajeitei as coisas, e enquanto descia as lombas da minha casa rumo ao centro, o dia não estava como os anteriores, quando em tal horário ou havia névoa fechada, úmida, ou um cinzento clima gélido. Havia promessa de sol, de céu azul. Um bom sinal.
A princípio, eu não iria mais. Mas um dinheiro inesperado, o suficiente para as passagens, não muito caras, e para roer algo no caminho, havia entrado inesperadamente – outro bom sinal.
Animado, prossegui com o que idealizara para aquele domingo. Já no centro, o céu se iluminava, as poucas nuvens se afastavam revelando aquele azul anil de divindade, e eu, perplexo. Aquela manhã não tinha nada a ver com as manhãs anteriores, nem com as que viriam nos próximos dias.
Nesse meu caminho… o Plínio,… o Zíngano, meu chefe, amigo, colega, que sabe de minhas aventuras pelas antiquíssimas religiões, e é ateu, convicto. Mas nos damos otimamente. Ele, mesmo não querendo, já é de alguma forma um guru. Alguém que aprendemos, por certas razões, a admirar, a tomar como exemplo. Não sei de onde vinha naquele momento tão cedo, mas estava feliz e sempre de mãos dadas com a esposa. Pensei comigo “legal, outro bom augúrio”.
Dez horas. Rodoviária de Taquara vazia. Meu destino, São Francisco de Paula. De novo. Um curso sobre mitologia védica me esperava, assim como a Ananda, a cuidadora do Centro Bhakti Yoguin, e o Priya Dasa (foto), o palestrante carioca – curioso por me conhecer justo por minha curiosidade. Ambos, eles, seguidores da tradição vaisnava.

Enquanto eu ascendia na bela estrada para a serra, em busca do conhecimento antigo, querendo não obtê-lo através do indiferente Google que o oferece por vezes incompleto, reduzido, distorcido, me vinham à mente figuras como o doutor Stephen Strange indo parar em Shamballa (foto), ou o jornalista austríaco Heinrich Harrer e seus Sete Anos do Tibet.

Durante o curso, nossa Seleção jogando, eu me sentia como em certas aulas do Mestrado, aquelas que faziam o tempo desaparecer de tão interessantes. A cada entidade védica que surgia na tela, nada nela, com ela, ou em volta dela, estava ali por acaso.
Cada detalhe puxa significados e histórias que se completam tecendo uma ampla e bem fundamentada mitologia. Considerada uma das mais antigas da Terra, nos deixa ela perplexos pela profunda abordagem do comportamento humano, do filosófico, do metafísico, do espiritual e do cosmogônico que oferece. Além disso, aqui e ali, expõe semelhanças, e até raízes, do que veremos em muitos mitos, religiões e doutrinas que surgirão depois.
Alterando o fictício e o que considera verídico, tal mitologia emana toda de uma única só fonte, a que gera as infinitas manifestações que existem, sejam elas materiais ou não, orgânicas ou não, perceptíveis ou inalcançáveis a nossos sentidos, mutáveis ou eternas. Tudo vem daquele que sempre existiu, sempre existirá: a Suprema Personalidade de Deus, ou seja, Krishna.

Manter viva essa bela e rica cultura é uma nobre missão. Quero fazer parte desse trabalho.
Por Luiz Haiml
Professor, de Taquara
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