
Integrada às ações da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, realizada de 21 a 28 de agosto, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Igrejinha e Três Coroas promoveu na noite de quarta-feira (22), o seu II Fórum de Acessibilidade e Negócios. Por meio do evento, a entidade lojista incentivou seus associados e demais integrantes da sociedade para um debate sobre a realidade apresentada nos municípios de sua atuação. Com um olhar especialmente voltado aos estabelecimentos comerciais, os painelistas convidados da CDL chamaram a atenção dos empresários sobre a importância de tornar seus negócios acessíveis a todos os clientes e, além disso, conquistar uma importante fatia de mercado que, muitas vezes, acaba ficando desassistida.
Conforme o engenheiro civil Douglas Franck, apesar de existirem leis estaduais e federais que normatizam a acessibilidade em locais públicos e privados, não há uma ação efetiva em nível municipal que faça valer os direitos das pessoas com deficiência. “Nos municípios da nossa região – Vale do Paranhana e Serra – apenas a prefeitura de Gramado nega a aprovação de projetos que não estejam de acordo com as leis de acessibilidade”, ressaltou Franck. Para ele, as Câmaras de Vereadores poderiam auxiliar nesta questão, propondo leis municipais que exijam acessibilidade como parâmetro mínimo para a liberação de uma obra. “Muitas vezes, por causa de um degrau, uma pessoa não consegue ter acesso a uma loja”, avaliou.
O fato foi reforçado pelo psicólogo e atleta paraolímpico Gabriel Feiten. “Isso fere um direito previsto na constituição federal que é o de ir e vir; não é um favor, é uma questão de respeito”, assinalou ele. Cadeirante desde os 21 anos, Feiten destacou a importância do evento da CDL e reforçou a importância das leis serem cumpridas e fiscalizadas. Também participaram do debate, mediado por Juliano Müller, Valter Ribeiro e Livia Honaiser, presidentes dos Conselhos Municipais dos Direitos das Pessoas com Deficiência de Igrejinha e Três Coroas.
Para o corretor de imóveis de Três Coroas, Renato Dutra, além dos aspectos técnicos e legais é preciso ter muita sensibilidade. “Somos nós que temos que estar preparados, como cidadãos, e o primeiro passo é estarmos juntos construindo isso”, afirmou. Por sua vez, o empresário Fernando Nievas, também de Três Coroas, contou que fez questão de cumprir a lei ao incluir o cardápio em braile em seu restaurante. “Custou apenas 7 reais por folha, além do mais, é uma questão de bom senso”, garantiu.


