Movidos pelos altos índices de violência contra a mulher, especificamente em Taquara, Eduarda Cezar Pereira Dias, Raissa Fernanda Santos Corrêa e Luiz Fernando Barros Costa, alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Dr. Alípio Sperb, do bairro Santa Maria, conquistaram vaga no Espaço Jovem Cientista da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Conforme os estudantes, a conquista da vaga foi consequência do empenho que eles investiram na pesquisa, que nomearam como “Violência contra a mulher: aqui a gente mete a colher”. “Nosso interesse pelo tema surgiu durante uma palestra que assistimos aqui mesmo, na escola. Ficamos impressionados com os dados apresentados e decidimos que queríamos contribuir de alguma forma para mudar a situação”, disse Eduarda.

O trio se mobilizou em busca de informações, contando com a orientação das professoras Camila Soares da Costa (matemática) e Emily Reis (história). “Começamos o trabalho em março, logo depois das atividades da semana da mulher, quando ocorreu a palestra. Descobrimos muitas coisas. Algumas negativas, como a informação de que uma em cada cinco brasileiras já sofreu algum tipo de violência; e outras positivas, como as ações e instituições criadas com a finalidade de acolher e apoiar as vítimas. Foi um trabalho enriquecedor”, disse Raissa.
Os alunos destacaram que, além de se aprofundarem no assunto, focaram também na busca de métodos capazes apoiar as vítimas e diminuir os índices de violência contra a mulher, principalmente em Taquara. “Buscamos saber como a Polícia Civil local se posiciona em relação a isso; fomos em busca de apoio da Câmara de Vereadores; e também conhecemos a Casa Lilás, em Gravataí. Tentamos tudo o que estava ao nosso alcance”, destacaram.
Representando os meninos da turma e integrando o trio, Luiz Fernando disse que se sente privilegiado em poder participar da pesquisa. Acredita que a mulher precisa, sim, de leis e ações que a coloquem em situação de equidade em relação ao homem. Citou uma situação hipotética, descrevendo pessoas de estaturas distintas e, considerando as estaturas, disse que não se pode dar a elas tratamento de mesma proporção pois não seria uma forma de promover a igualdade. “Assim funciona o sistema de leis e ações específicas para as mulheres. Elas precisam ser amparadas em proporções diferentes às dos homens. Do contrário, permanecerão sempre em desvantagem, seja no trabalho, nos relacionamentos afetivos, ou em qualquer situação social”, explicou.
Orgulhosa, a diretora do educandário, Vilma Sant’Ana Bastos, disse que está encantada com o resultado da pesquisa dos alunos. “Não me canso de elogiar eles. Além de todo o material que conseguiram, mudaram também o comportamento, principalmente da turma deles, aqui na escola. Compartilharam as informações com os colegas e foram conscientizando a cada um. É visível a mudança, principalmente com a diminuição de algumas ofensas, consideradas “culturalmente piadas”. E a participação deles na próxima edição do Espaço Jovem Cientista aumenta ainda mais nosso orgulho. Somos a única escola pública do município a conquistar essa oportunidade”, comemorou Vilma.
III FEICCAS
O trabalho “Violência contra a mulher: aqui a gente mete a colher” também conquistou o primeiro lugar na III FEICCAS – Feira de Iniciação Científica da Escola Alípio Sperb, que aconteceu na última sexta-feira (14), no endereço da escola. Com isso, os alunos, junto com outros quatro grupos da escola, garantiram a participação na Mostra Científica Municipal.


conquistaram o primeiro lugar na categoria educação infantil da III Feiccas, com o projeto: Quantos animais tem no fundo mar? Foto: Escola Alípio Sperb/ Divulgação


