
A noite de quarta-feira (31) marcou o encantamento com a inauguração da primeira etapa da Estação Campos de Canella. O evento marcou a entrega da estação férrea e da locomotiva La Meuse totalmente revitalizadas. O processo de recuperação da locomotiva ocorreu em Taquara. Para a comunidade, o espaço, inaugurado na década de 20 do século passado, é o símbolo do progresso e do desenvolvimento econômico do município. Os trilhos facilitaram o escoamento da produção de madeira e, posteriormente, o transporte de passageiros.
A noite foi marcada por muita emoção. Intervenções artísticas aconteceram simultaneamente em múltiplos palcos, levando a plateia para dentro do espetáculo que contou a história da Estação e da intima relação com a cidade. A criação e produção do show ficou por conta da D’arte Multiarte, empresa com know-how em construir sonhos a partir da mistura de música, dança, circo, teatro e tecnologias, mas, que dessa vez, assumiu uma responsabilidade ainda maior: contar a trajetória da própria família.
A sócia e diretora artística do espetáculo, Lisiane Urbani, mergulhou nas conversas com primos e tios para resgatar a vida de Benito Urbani, o tio que dedicou à vida ao amor às máquinas a vapor. Benito foi proprietário da única oficina da região que consertava locomotivas e é o inspirador do parque Mundo a Vapor, sócio do empreendimento no que diz respeito à recuperação do prédio e da máquina. “Quando começamos a pensar na apresentação, me dei conta que a família sempre foi fora da caixa, visionária, assim como o João Corrêa, o fundador da cidade. Procuramos falar sobre o passado, o presente, mas sempre planejando o futuro. Da mesma forma que a estação mudou a cidade, a renovação também é um recomeço”. O Largo da Fama Benito Urbani é uma homenagem a esta figura ímpar. A diretora geral do Mundo a Vapor, Lenise Urbani Travi, lembrou que a chegada do trem revolucionou a região. “Hoje também estamos fazendo história, unindo as pessoas do passado, com a experiência do presente e a esperança no futuro”. O diretor comercial do parque, Carlos Alfredo Schaffer, pontua que a intenção é tornar o complexo um destino para os turistas, não apenas uma passagem pela cidade.
A Novalternativa, incorporadora que desenvolveu e executou o projeto, tem planos para muito mais. Quando concluído, o espaço terá 42 espaços comerciais distribuídos 5.900m², além de uma Rua Coberta e o esperado Memorial do Trem. Além disto, o diretor da empresa Fernando Bassani já pensa em uma proposta complementar para desenvolver ainda mais o espaço. “Há alguns anos, olhamos para o lado e encontramos uma estação que estava liquidada, uma locomotiva que precisava de socorro e uma região que necessitava de amparo. Nós encaramos o desafio”, avalia. “É uma grande realização poder entregar um espaço tão importante para a cidade. Tudo surgiu daqui, é um ícone. Para nós, o sentimento é muito diferente, é a possibilidade de continuar a fazer com que fique cada vez melhor e maior. Esse é o nosso desafio”.
Revitalização em Taquara
A revitalização da La Meuse foi realizada em Taquara, na oficina de Márcio Krummenauer, com o trabalho de resgate histórico feito por Antônio Carlos Teixeira de Souza Júnior. Trem de fabricação belga, fabricado em 1909, a locomotiva demorou cerca de um ano para ser totalmente revitalizada. Segundo Júnior, a história desta unidade da La Meuse passa por vários municípios. Foi uma máquina a vapor utilizada em manobras, não puxando composições, segundo ele.
Sete pessoas atuaram durante um ano diretamente envolvidas com o processo de restauração. Peça por peça, Márcio disse que foi preciso muita pesquisa na internet para assegurar que o trabalho seguisse o projeto original do trem. Júnior conta que seu envolvimento com a restauração de seu justamente nesta área de pesquisa, a partir da histórica ligação que possui com a área, mexendo com isso desde pequeno. Além disso, seu avô foi um dos operadores da própria La Meuse. “Como a locomotiva ficou anos exposta ao tempo e sem nenhum cuidado ou manutenção, a estrutura estava muito deteriorada. Tivemos que reconstruir e forjar muitas peças que não existem mais para reposição. Quem visita-la agora vai ver detalhes que não eram mais percebidos. Com certeza será uma grande atração!”, comentou Márcio.
Visitação do público
A Estação Campos Canella já abriu as portas ao público, que pode conhecer as transformações e visitar as operações que já estão em funcionamento.
Horário:
Fevereiro: lojas das 1oh às 22h / restaurantes 11h às 22h


