
O músico Zé do Bêlo (foto acima) sobe ao palco do Centro Educacional Índio Brasileiro César, nesta sexta-feira (29), em única apresentação, marcando o retorno dele ao estado, depois de oito anos vivendo em Brasília e na Paraíba. O espetáculo, que integra a programação do Sexta Tem Arte, é o mais recente show do cantor, com repertório recheado de canções da música popular brasileira das décadas de 1920 e 1930, resultado de longa pesquisa por obras raras de gêneros de raiz popular como modinha, lundu, coco, embolada, choro e o samba nas suas variações. As apresentações ocorrem em dois horários, às 9h30min e às 19h30min, ambas com entrada gratuita à comunidade.
O setlist, segundo o artista, é um apanhado de verdadeiras joias, canções populares selecionadas em uma pesquisa aprofundada em coleções de fonogramas antigos de obras de autores como Manezinho Araújo, João da Baiana, Jararaca e Ratinho, Almirante e Bando de Tangaras, Canuto, Noel Rosa, Braguinha. “Construo através desta pesquisa musical um cruzamento com uma pesquisa em bibliografia especializada de História do Brasil, contextualizando o ambiente político, cultural e social da época”, conta, através de textos de autores como José Ramos Tinhorão, Lúcio Rangel, Sergio Cabral, Jairo Severiano, entre outros.
Este espetáculo segue como um desdobramento de “A Moda Chegando Eu Vou Ver Como É”, álbum de 2014, em que lançou o projeto de pesquisa e resgate da produção da música brasileira das primeiras quatro décadas do século XX. Porém, toda essa aventura teve início em 2012, quando Zé resolveu incluir em seu repertório “Pelo Telefone”, de 1916, cuja autoria está registrada no nome de Donga e Mauro de Almeida, tido como o primeiro samba gravado Brasil. “Pesquisei a respeito da música e, nos shows, conto um pouco de sua história. Percebi, então, que o público aprovou a escolha, aplaudindo-me efusivamente”. Zé do Bêlo vem acompanhado de Alexandre Rossetto no contrabaixo, Luiz Jakka, Biel Lopes e Nêgo Zé na percussão e King Jim na voz e sax.
A apresentação da manhã é voltada ao público escolar e, à noite, para a comunidade em geral. É solicitado que o público, como ingresso voluntário, leve um quilo de alimento não perecível. Idealizado e desenvolvido pela Associação Cultural Casa do Rock (ACCR), o projeto “Sexta Tem Arte” objetiva incentivar a produção cultural no município de Taquara e arredores, através da produção de apresentações artísticas no Centro Educacional Índio Brasileiro Cesar, da promoção da inclusão social e do livre acesso à cultura, da formação de plateia no local e da qualificação e diversificação culturais. O projeto foi contemplado em 2018 com R$ 60 mil no edital #juntospelacultura2, da então Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul (Sedactel – hoje Secretaria da Cultura).
Sobre o artista
Zé do Bêlo é o nome artístico do músico porto-alegrense Maurício Sanches. Iniciou sua carreira nos anos 1990 com essa performance, apresentando formato de show cômico musical do tipo stand up. As canções, autorais, devido ao seu sucesso, motivaram convites para gravações. O hit “Reprise” alcançou execução em rádios FM, e levou o artista à notoriedade local. Lançou o CD “Acústico” em 1998 pelo Selo Barulhinho e o CD “Zé do Bêlo Salva” em 2005 pela Loop Discos. Protagonizou comerciais de TV e apresentou seu próprio programa de rádio na lendária Ipanema FM, onde alcançou 13 pontos na audiência durante 2002 e 2004. Após o ciclo de trabalhos em publicidade e mídia, o artista passou a dedicar-se à sua verdadeira paixão, que é música popular do Brasil. Atualmente, regrava canções históricas das décadas de 1920 e 1930 que passaram despercebidas das grandes produtoras. Lançou o álbum “A Moda Chegando Eu Vou Ver Como É” em 2014, trabalho que o aproximou de aliados importantes nacionalmente, como o musicólogo Ricardo Cravo Albin, o comunicador Rolando Boldrin e o violonista arranjador Marco Pereira.
Em 2018, comemorou 20 anos do lançamento do primeiro disco, aclamado pelo crítico Luiz Antonio Giron, em sua coluna Fonoteca, Caderno de Cultura da Gazeta Mercantil, com o seguinte texto em 1999: “Zé do Bêlo tem um physique du rôle tipo Falcão, mas sua música, profunda e escatológica, tem a ver com a série iniciada por Caco Velho e continuada por Lupicínio Rodrigues e Raul Seixas. Com voz quebradiça e palavras incisivas, ele retrata o submundo de Porto Alegre, os imperativos do amor, o destempero e a religião. Seu gênio maldito é prova de que o Sul não é uma caatinga cultural.” Ainda em 2018, cantor Zé do Bêlo participou do programa Sr. Brasil (TV Brasil), recebendo elogios do apresentador Rolando Boldrin: “Um pesquisa maravilhosa! Você buscou nesse disco obras-primas”.


