Roseli Santos
Esta postagem foi publicada em 8 de maio de 2019 e está arquivada em Roseli Santos.

Abrindo picadas, por Roseli Santos

Abrindo picadas

Em tempos de Feiras do Livro pela região, sempre é bom lembrar que a leitura move o conhecimento de qualquer ser humano. Ainda que desmantelem a educação, que acabem e desviem os recursos destinados para a cultura, que digam, façam e aconteçam sob o argumento de que não há outra saída, sempre haverá alguém desbravando picadas, à foice e facão, aos trancos e barrancos.
O obscurantismo move a ignorância e dela se alimentam alguns poderosos interessados em seus próprios “saberes”. Também não são os academicistas e doutores os únicos donos da razão, a julgar do alto de seus outros específicos “saberes” o que é certo ou errado.
São os desbravadores, os que ousam abrir caminhos por trilhas enlameadas, os que metem a mão na massa e no lodo, os que arrancam o mato da estrada e iluminam mentes em meio à escuridão que realmente descobrem e constroem saberes.
Tarefa árdua plantar esperança onde só vinga erva daninha. Missão quase impossível ver luz no fundo do poço. E ainda assim há desbravadores. Focos de resistência, como os que vejo por aí, em livrarias e editoras, universidades e escolas, empenhadas em imprimir e replicar conhecimento.
Recordo de tempos, sem internet e nem telefone celular, onde o conhecimento nos chegava pelo correio por meio de um projeto chamado Círculo do Livro. Comprávamos os exemplares por catálogos e os recebíamos em casa, não sem uma ansiosa espera, de várias semanas, até podermos “devorar” os últimos lançamentos editoriais e compartilha-los com os colegas, às vezes em sistema de rodízio.
Assim, líamos muito, talvez mais do que a maioria das pessoas hoje, com todas as facilidades virtuais. Por isso, iniciativas como a do Clube de Leitura da Manas Livraria de Igrejinha são dignas de aplauso e reconhecimento. Quando nos deparamos com o fechamento de várias livrarias importantes por falta de leitores, eis que um estabelecimento ao nosso lado promove exatamente o contrário: mais e mais leitura, em encontros mensais com a presença dos autores e bate-papo sobre os livros “devorados” por essa gente louca, que ainda lê…e pensa!
Desbravadores armados com palavras e ideias gestadas em livros, quem diria, abrindo picadas por trilhas da ignorância. Coisa de iluministas, iluminados, assim como os escritores que acendem a chama do conhecimento, sem saber que “sabem”, sem imaginar que os caminhos, depois de abertos, são infinitas highways por onde circulam todos os saberes.

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