O governador Eduardo Leite revelou, nesta terça-feira (4), durante a viagem que faz ao Chile em busca de investimentos no Rio Grande do Sul, a intenção de repassar à iniciativa privada duas rodovias que passam pela região: a ERS-239 e a ERS-115. Ambas, atualmente, são administradas pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), que Leite já manifestou disposição de extinguir. As rodovias farão parte de um projeto de concessões a ser delegado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que procurará investidores.
Leite participou do Seminário Empresarial Oportunidades de Negócios entre Chile e Brasil – focado no Rio Grande do Sul. O evento ocorreu no centro de convenções da Sociedad de Fomento Fabril (Sofofa), em Santiago. Na ocasião, o governador apresentou as rodovias que passam pela região e outras três do estado: a ERS-239, ERS-122 e a ERS-240. A pretensão foi atrair interessados para um eventual concorrência.
O secretário de Transprotes, Juvir Costella, informou que o BDNES será um intermediário entre o governo e investidores, atuando na busca por recursos, interessados e oportunizando, eventualmente, financiamentos. O assunto começou a ser discutido durante encontro de governadores, realizado em Gramado no final de maio, quando Leite expôs o tema ao presidente do BNDES, Joaquim Levy, que participou da reunião.
A extinção da EGR, segundo as informações do governo, passará pelo repasse das rodovias atualmente administradas pela estatal à iniciativa privada. Mas, a EGR só deixará de existir após o governo ter certeza do que fará com as rodovias.
ERS-020 não deverá ter pedágio
Outra rodovia da região que teve definições do governo foi a ERS-020. Não prosperou a proposta de instalar pedágios em troca da duplicação de 117,7 quilômetros. Segundo as informações, o alto valor do investimento exigira um preço de tarifa que foi considerado alto demais.
O cálculo foi de que as obras, entre Cachoeirinha e Canela, custariam cerca de R$ 900 milhões, em 30 anos. Para compensar este gasto, as concessionárias teriam que cobrar R$ 19,69 em duas praças de pedágio previstas ao longo da rodovia.
A ERS-020 foi avaliada como uma rodovia com Volume Diário Médio (VDM) baixo, ou seja, quantidade de veículos que passa por dia não é tão expressivo como outras estradas do estado. A existência de diversas rotas de fuga também dificulta a concessão.
O governo ainda estuda formas de incluir a 020 em um pacote subsidiado, ou seja, pedágios em outra rodovia exigindo investimentos em ambas as vias. “A ideia inicial, que embasou o estudo, foi tornar a ERS-020 uma nova rota para Canela e Gramado. Entretanto, na realidade, o contexto para a duplicação não se tornou favorável. Mas não desistiremos de buscar alternativas para qualificar essa importante rodovia”, destacou o secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella, em entrevista ao site GaúchaZH.


