Roseli Santos
Esta postagem foi publicada em 26 de junho de 2019 e está arquivada em Roseli Santos.

Não reclamem, por Roseli Santos

Não reclamem

Hoje faz frio (ao menos nesta quarta-feira, dia 26 de junho, em que escrevo a minha crônica). O primeiro frio de verdade de 2019 e todo mundo já está reclamando. Até ontem, a queixa era o calor fora de época, com quase 30 graus marcando a entrada do inverno no Rio Grande do Sul.

Insatisfeitos, como sempre, não nos contentamos apenas em conferir várias vezes por dia a previsão do tempo. Precisamos reclamar, faça frio, calor, vento, chuva ou mesmo um dia lindo de sol com temperaturas amenas. Sempre haverá algo de “errado” ou a ser “melhorado” no clima, aqui ou em qualquer outra parte do mundo.

Na Europa é o calor que beira os 40 graus. No Brasil, agora, é o frio que chega a temperaturas negativas em alguns lugares. Extremos cada vez mais intensos em um curto período na mesma semana.

Nos dois últimos finais de semana vi cenas quase surreais para o mês de junho. Em Tramandaí, calor, sol e biquíni na beira da praia, num clima temperado maravilhoso que atraiu centenas de pessoas para o litoral. Tinha até gente tomando banho de mar, acreditem.

Casacos, blusões, mantas e gorros nem pensar, também em Gramado, no último final de semana, onde a temperatura chegou aos 24 graus ou mais, para tristeza dos turistas, nordestinos, em sua maioria, que querem usar suas roupas de lã e caminhar pelas ruas frias da cidade, entre uma selfie e outra em frente aos termômetros que ornamentam as calçadas, e dos comerciantes que precisam vender seus estoques de inverno, o quanto antes, para movimentar a economia local.

Mas, de um jeito ou de outro, todos irão reclamar, sempre!. É do ser humano esse descontentamento, essa insatisfação, essa necessidade de interferir em tudo, inclusive e principalmente, na natureza. Por isso, pagamos um preço alto, com juros e correção que não há dinheiro no mundo que resolva.

Os danos causados à mãe Terra retornam em forma de aquecimento global e em fenômenos nunca ocorridos no planeta. Ainda assim, a humanidade segue se queixando, quando apenas colhe o que plantou. Ou melhor, nem colhe porque não planta; ou ainda, lembrando o ditado popular, colhendo tempestades porque plantou discórdia e descaso, em troca de uma satisfação que não sacia nunca, diante da arrogância com que os seres humanos ainda fomentam em cada gesto, agindo com se fossem Deus.

Hoje faz frio. Amanhã pode dar praia. E depois de amanhã poderemos ser varridos do planeta por um furacão devastador. E não adianta reclamar. Agora, é tarde!

Por Roseli Santos
Jornalista, de Taquara
[Leia todas as colunas]

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: [email protected]