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André Trigueiro em palestra na Faccat: “Não há cidade sustentável onde haja miseráveis”

Jornalista da TV Globo participou de Fórum em Taquara e concedeu entrevista ao Jornal Panorama.
André Trigueiro: planejamento de longo prazo para os municípios é fundamental. Divulgação/Claucia Ferreira/Faccat

Participante do Fórum Atitudes para Cidades Sustentáveis, realizado durante o sábado (29) nas Faculdades Integradas de Taquara (Faccat), o jornalista André Trigueiro, da TV Globo, enfatizou a importância do combate à miséria e da redução da pobreza. Para ele, uma cidade sustentável é aquela que não tolera a exclusão social. “Não há cidade sustentável onde haja miseráveis. E quem mais precisa do poder público é quem não tem casa, não tem emprego, não tem boa escolaridade. Então, pensar nesse segmento, é pensar grande”, enfatizou, em entrevista exclusiva ao Jornal Panorama e à Rádio Taquara.

O segundo ponto a ser observado pelos municípios, disse Trigueiro, é ter um planejamento urbano antenado com o século 21. O jornalista reforçou a importância de leis como o Plano Diretor e de uso do solo. Defendeu a necessidade de organização dos espaços, com a definição de regras para o crescimento urbano, especificando as áreas comerciais, industrial e residencial, com os textos legais definidos a partir de debate e transparência.

A destinação dos resíduos, segundo André, é um assunto de prefeitos e precisa ter soluções inteligentes. Ressaltou a possibilidade de que o lixo seco seja transformado em recicláveis, destinado para a indústria e, inclusive, com possibilidade de auferir renda. O lixo orgânico pode ser, totalmente ou parte dele, usado em compostagem. “Não adianta ficar levando restos de comida para enterrar em um buraco, perdendo a chance, por exemplo, de transformar em adubo orgânico para as praças. Existe aí uma equação que se resolve muito bem onde houver método, planejamento, e isso não custa caro”, frisou.

Do ponto de vista da mobilidade urbana, Trigueiro enfatizou que os municípios não podem descuidar das alternativas aos automóveis.

“É preciso entender que o automóvel, em boa parte do mundo, em cidades de diferentes tamanhos que só pensam no transporte individual motorizado, estará semeando problemas. Pensar grande é pensar mobilidade para quem tem e para quem não tem carro ou não possui interesse em usar um carro o tempo todo. Cidade que precisa do carro para ir a todos os lugares é uma cidade onde a mobilidade é ruim, e isso não interessa para quem vive nessa cidade. Precisa pensar grande, no longo prazo, e o automóvel é apenas um dos modais de transporte”, enfatizou.

Neste ponto, questionado especificamente sobre o investimento de vários municípios da região em pavimentação asfáltica, o jornalista disse que não há problema com relação a asfalto desde que onde for aplicado seja construída uma galeria de água pluvial, devido à impermeabilização promovida pelo asfalto. “Se apenas colocar uma manta asfáltica e não der destinação da água da chuva, você vai agravar enchentes”, frisou.

“Prefeitos não suportam vigilância cidadã o tempo todo”.

Ressaltando a participação da sociedade no planejamento de um município, André Trigueiro disse que “os prefeitos estão sempre de passagem, os moradores e a cidade ficam”. Para o jornalista, a democracia é uma panela de pressão, e a população não cumpre seu dever cívico apenas votando no dia do pleito, mas também participando.

“Acredito na cidadania participativa. Cobrar no período de campanha o detalhamento das propostas e, seja quem for o candidato eleito, precisamos pressionar. Ou seja, você precisa ter governança, instâncias da sociedade, associações, organizações civis, que estejam vigilantes ao que a câmara de vereadores haverá de discutir e aprovar ou rejeitar e aquilo que o prefeito pretende fazer, o tempo inteiro. Prefeito, nenhum prefeito, suporta vigilância cívica cidadã o tempo todo. Se a população descuida, temos problemas. Temos que zelar pelo que é o nosso patrimônio”, finalizou.