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Esta postagem foi publicada em 5 de julho de 2019 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Um lugar ideal, por Plínio Zíngano

Do “Meu cinicário” – Em tempos de tanto ativismo implicante, eu – sempre implicante – me declaro, total e definitivamente, inativista. Quer implicância maior?

Um lugar ideal

Confesso ter pouca atração por viagens, não importa sua natureza, sejam de ordem profissional, lazer ou por mudança de residência. Admito, porém: das empreendidas por mim, gostei e não me arrependo. Cheguei a Taquara no último dia de 1995, depois de ter saído de Porto Alegre, minha cidade natal, fazendo escala na histórica Olinda, em Pernambuco (lembram do Maurício de Nassau, das invasões holandesas?). Lá, morei durante sete meses. Ou seja, para chegar aqui, tomei um atalho de quase 8.000 km, ida e volta.

Na volta, dirigi uma Chevrolet Ipanema, fruto da venda do apartamento olindense. Tão logo entre num automóvel, começo a dormir, mas enfrentei os quatro dias de viagem sem conversar com Morfeu, a não ser nos horários a ele confiados. Dormimos, eu, a Cármen e o Vágner até em motel, provocando espanto do porteiro de um em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Onde já se viu, um casal e um adolescente num motel? Boa coisa não deveria ser!

Hoje, Taquara é a minha cidade pós-natal. Entretanto não quero esquecer de Parobé, onde exerci a maior parte das minhas atividades letivas. As duas moram no meu coração!

Do rol de outras cidades visitadas com importância para mim, cito, em ordem crescente pelo tempo de permanência nelas, Teresópolis (RJ), Riozinho (RS), Igrejinha (RS), Pelotas (RS). Mafra (SC), Rio Negro (PR), Santa Cruz do Sul (RS). O interessante é que, nunca, as visitas foram, apenas, por lazer. O lazer sempre foi um subproduto muito bom, dessas estadias.

Estive em lugares de ficção científica, como o Planeta Mongo, de Flash Gordon; vi a destruição de Kripton, logo após a partida de Kal-El, aliás Clark Kent, aliás Super-Homem; criei o meu próprio planeta, Áktron, de onde eu teria vindo para ser professor aqui na Terra (basta perguntar aos meus ex-alunos). Passei por locais literários como O sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato e Pasárgada de Manoel Bandeira. Interagi com Odin em Walhalla e com Zeus no Monte Olimpo numa perambulação mitológica.

Ou seja, embora não muito afeito a viagens, quase um sedentário, dei meus pulinhos por aí. Mas existe, agora, um lugar complemento para o bem-estar dos viajantes desta vida (aqui, a própria vida, não o estilo). Ele provoca a ira de muita gente. Nunca veremos anúncios do Trivago, indicando hotéis por lá. Não capto o porquê da repulsa, externada, principalmente, quando alguém quer dar conselhos a algum desafeto.

Por Plínio Dias Zíngano
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