
Do “Meu cinicário” – Então, você tem um ídolo na luta pela igualdade entre os seres humanos? Já entendi: não vai dar certo. Ídolo jamais será igual. É superior.
OS INIMIGOS
Mais uma vez, de tantas já ditas, ouvi o Faustão, aquele do Domingão, pronunciar uma frase que me incomoda sobremaneira. Não é uma reclamação das palavras desse apresentador específico, pois muitos as falam. Aliás, ele, como todos os outros, pouco interesse me despertam. E na categoria “outros”, podem ser incluídos, além dos apresentadores, os atores, os humoristas, os cantores, os comentaristas, etc. A televisão não tem minha simpatia. Não me refiro de um determinado canal, como se tornou mania em relação à emissora do citado homem do showbiz nestes tempos ultrapolitizados. Na verdade, considero a televisão um tipo de diversão enfadonho (até durmo)! Prefiro o texto radiofônico e, mais ainda, o gráfico. “Mas, se é assim”, hão de perguntar meus leitores, “por que assiste ao programa dele?”. Explico: embora eu tenha tamanha aversão televisiva, na minha casa há quem pense de maneira diferente e, mesmo sem querer, enxergo e ouço algumas coisas transmitidas.
Feita a apresentação do problema, se podemos chamar de problema a minha má vontade com a frase proferida pelo incômodo apresentador no detestado veículo de comunicação – é, com estes implicantes qualificativos, dá pra concluir: é um problema; meu! –, vamos à frase. Ela, normalmente, aparece na seção “Arquivo Confidencial”, quando são mostrados fatos da vida de um convidado, contando sua trajetória até uma suposta vitória após ter “lutado contra tudo e contra todos”.
Lembrei-me da canção Levantai-vos, soldados de Cristo, ouvida na igreja lá nas minhas infância e puberdade e de cuja parte musical sempre gostei. Na segunda estrofe, encontramos os versos: “Não nascemos senão para a luta; de batalha amplo campo é a Terra. É renhida e constante esta guerra (…)”. Estarão Faustão e caterva fazendo proselitismo, ao insistir nesse refrão?
Se alguém luta contra tudo e, principalmente, contra todos, fica-me a impressão de ter sido incluído nesse grupo. Sem esquecer você! Qualquer um de nós faz parte do “todos”, ajudando a formatação diária do “tudo”. O mais grave da afirmação é que o vitorioso também deve, ele próprio, ser incluído no rol. Ou seja, as vitórias tão decantadas, quando os inimigos, as batalhas e os prêmios têm parâmetros indefinidos, são apenas papo furado, próprias para enaltecimento em xous de auditório.
É impossível negar as metafóricas lutas, mas a acachapante maioria delas é interna. O inimigo está dentro de nós mesmos. E – querem saber? –, só quando vencemos estas batalhas, ficamos muito melhores para conviver com “tudo” e com “todos”.
Por Plínio Dias Zíngano
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