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Esta postagem foi publicada em 16 de agosto de 2019 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Começo e Fim, por Plínio Zíngano

Do “Meu cinicário” – Se preservo a sociedade, sou um “reacionário ultrapassado”. Se aceito a tecnologia e mudo a sociedade, sou um “exterminador do futuro”!

Começo e fim

Numa das noites frias desta semana, num momento de maior descontração em nossas atividades na escola, uma colega fez-me perguntou-me: “com qual idade você começou a lecionar?”. Bem, antes da resposta, propriamente dita, cabem, aqui, dois esclarecimentos. O primeiro, é sobre a natureza da escola em que trabalhamos. O nome é ESTAJA, municipal, e acredito, piamente, ser uma instituição de grande valor social (está bem, escolas sempre têm o mais importante valor social, isto é inquestionável). A Escola Taquarense de Jovens e Adultos é, também, um dos  orgulhos na minha vida de professor, junto com o NEJAP, de Parobé, pois, humildades à parte, ajudei a criar as duas.  Já estou trabalhando na área de jovens e adultos desde 2007, concomitantemente com a sala de aula tradicional. O segundo esclarecimento é justificar a origem da pergunta. Talvez ela tenha se originado da curiosidade de ver um professor com a minha idade ainda na ativa. Respondi-lhe: recomecei aos 52 anos, em 1996! Seu olhar foi de espanto e satisfação, quando suspirou “puxa, estou começando aos 42!”.

Por que escrevo isto, afora estar relatando um caso verídico de foro íntimo? Fácil responder, se olharmos o contexto onde a pergunta foi feita, numa  escola   dedicada àqueles, muitas vezes, desiludidos da lida escolar pelos mais variados motivos e desejosos de voltar aos canais, legalmente, aceitos para comprovação de escolaridade. Todos sabemos, escolaridade está longe de ser condição sine qua non para vencer na vida, mas, se você não for um grande enrolador (para não dizer, “mentiroso”), este é um caminho importante.

Novamente, sem querer, minha vaidade vem à tona. Estou no lugar certo, dando a maior lição dada por um professor: ele próprio ser o exemplo daquilo que ensina. Se é verdade – e é – que escolaridade não tem idade na procura de uma atividade profissional, nossos alunos estarão percorrendo o melhor caminho para isso ao melhorá-la. Como informei à minha colega, comecei no magistério aos 52 anos; terminei a primeira pós-graduação, a Especialização, em 1999, aos 55 anos; concluí a segunda pós-graduação, o Mestrado, em 2002, aos 58 anos; fui aposentado compulsoriamente, por um estúpido preceito constitucional aos 70 anos, em 2014 (é inexplicável a Constituição tentar determinar o fim da vida profissional); porém aos 74, continuo a mil, lecionando (1º semestre de 2019, na UNIPACS, curso de Edificações) e, como há já sete anos, coordenando o ESTAJA. Sim, minha amiga, você só tem 42 anos! Mas se amar esta sua nova atividade (afinal, estudou para isto), ainda vai ter muito tempo. O ensino só terá a agradecer pela sua dedicação.

Por Plínio Dias Zíngano
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