
Uma tarde ensolarada marcou o dia do primeiro encontro do grupo “Laços de Amor”, lançado nesta semana, em Taquara. O projeto tem como objetivo apoiar a mulheres e homens em tratamento de câncer de mama, por meio de reuniões com outros pacientes, familiares e também profissionais da área da Saúde e Beleza. Os encontros são gratuitos e ocorrem, a partir dessa semana, todas as quartas-feiras, às 15h, no endereço da igreja Visão Familiar – em Taquara – que cedeu o espaço para as atividades.
Superação e desejo de valorizar a vida

O “Laços de Amor” nasceu da iniciativa da terapeuta familiar, Marcia Resser, taquarense que venceu o câncer de mama, depois de receber o diagnóstico, em 2014, durante um exame de rotina. A profissional conta que a vida dela mudou totalmente depois da notícia, mas que venceu todos os processos do tratamento, incluindo a cirurgia, quimioterapia e radioterapia, e decidiu que precisava fazer algo para incentivar outras pessoas que viessem a passar pela situação também.
Lembrando a experiência, a profissional disse que a decisão de se apossar da vida, ser alegre, foi fundamental para vencer o câncer. “Em todo o tempo, mesmo nos dias de medo, incertezas, eu decidi sorrir e viver intensamente. Pensava: Eu estou aqui hoje, então eu vou viver! Minha família foi muito importante. Deus em primeiro lugar na minha vida sempre, porque eu sou a comunhão que eu tenho com Ele. E foi assim, todo tempo de mãozinhas dadas com Deus”, descreveu ela.
Marcia disse que o processo também lhe permitiu conhecer muitas pessoas especiais, entre elas, profissionais que agora serão voluntários no projeto. A psicóloga, Deise Nunes, a nutricionista, Ana Carolina Arnhold, e o maquiador, Everton Brocker (Ewy), presentes no primeiro encontro, serão alguns deles. “A ideia é poder criar, literalmente, laços de amizade e carinho, mas também oferecer apoio profissional, com amparo psicológico, nutricional, oncológico, além de dicas de beleza. Sou grata a Deus por ter pessoas tão queridas e capazes, me apoiando nessa iniciativa e fazendo a diferença na vida de pessoas que precisam tanto”, disse.
Gratidão: um sentimento compartilhado entre os voluntários

Responsável pela abordagem do primeiro encontro do projeto, a psicóloga Deise Nunes disse que adorou a tarde. Contou que sempre se identificou com a área da oncologia e fez, inclusive, seu trabalho de conclusão de curso relacionado ao tema. “Venho construindo uma caminhada e percebendo o quanto é importante ter esses momentos para compartilhar experiências. Muitas pessoas necessitam da fala. Elas carregam histórias de vida que vão acumulando, e que muitas vezes podem somatizar e virar doenças, ou dificultar muito o processo de tratamento”, explicou Deise. “Vai ser muito importante trabalhar nesse projeto e, se a sociedade apoiar podemos crescer e fortalecer cada vez mais, alcançando muitas pessoas”, acrescentou ela.
A nutricionista, Ana Carolina, disse que a participação dela no projeto terá o objetivo de abordar a importância de uma boa alimentação durante o tratamento. “Nesse período de tratamento, o paciente costuma ficar enjoado, e seguir uma dieta anti-inflamatória, por exemplo, pode melhorar bastante o processo”, explicou. “Será muito gratificante ajudar outras pessoas, com um conteúdo que eu amo”, disse.
Para o maquiador, Ewy, a experiência será ainda mais significativa, conforme ele comentou em entrevista. “Vai ser muito especial, porque eu estou com uma tia que recebeu o diagnóstico de câncer de mama e está em tratamento. O esforço que eu farei para participar do Laços de Amor é nada, comparado retorno que vou ter com a experiência. Poder mudar, um pouquinho que seja, a vida das pessoas para melhor é muito gratificante”, concluiu.
Sobre a manutenção e capitação de recursos para o grupo, Marcia Resser disse que ainda não definiu. “Mas estamos abertos ao interesse e apoio de parceiros e voluntários. Hoje servimos um lanchinho delicioso, oferecido pela Fruteira Canaã. Também estamos pensando em algumas atividades de coleta de materiais, por enquanto tampinhas de garrafas pet, para doarmos a alguma instituição, ou mesmo reverter em valores para o nosso grupo. Vamos estudar bem o que podemos fazer e, aos poucos, divulgar”, explicou Marcia.
Na reunião desta semana, o grupo reuniu pacientes que já estão na fase de acompanhamento, pós processo de quimioterapia e radioterapia, familiares de outros pacientes com câncer, e amigas, que foram conhecer o projeto e se solidarizar. A tarde foi de emoção e encorajamento, através do diálogo e de uma dinâmica realizada pela psicóloga Deise. As reuniões são abertas a toda a população e têm entrada franca.



