
Do “Meu cinicário” – Na teoria, todo mundo é socialista e quer a igualdade entre os homens. Na prática, todos esperam que os outros ponham a teoria em prática!
Falsos Profetas
Eu planejara comentar a fala do papa Francisco a respeito da Amazônia, mas, para escrever um texto bem ancorado, resolvi procurar mais informações, além daquelas que já possuo. Devo confessar: nós nunca teremos conhecimentos suficientes sobre nada. Sempre haverá um viés diferente, jamais considerado pela nossa vã filosofia. Foi o acontecido agora. Um pouco antes de procurar essas notas extras, deparei-me com uma postagem no Facebook (escrita por um amigo do próprio Facebook e da vida real). Esse amigo, homem de grande espiritualidade – segundo autodefinição – incentivou-nos a prevenção contra “falsos profetas”.
Claro, para mim, mediatamente, surgiu a figura de “profetas verdadeiros”, embora não tenha conseguido criar a imagem de mais de uma pessoa aventando a mesma verdade, caso de uma profecia. Se a verdade é uma, só um será considerado “profeta”: o primeiro a relatá-la. Os outros serão vistos como seguidores de algo aceito por verdade. São os crentes!
Depois dessas cogitações, voltei à busca das relações papais com a Amazônia, o meu intento primeiro e, interessante, encontrei citações do próprio papa Francisco, tratando do assunto. Ele fala, entre tantas coisas, em falsos profetas. São palavras muito genéricas, servindo para designar qualquer pessoa que contrarie os interesses de quem as pronuncie. E, pasmem, nem ele escapa desse epíteto. Muitos cardeais já se referem ao chefe dos católicos dessa maneira.
O que tem a ver tudo isto com a Amazônia? Em outubro de 2017, Francisco convocou a realização dum grande encontro, a “Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica”, conhecido como Sínodo da Amazônia, cuja realização acontecerá em outubro de 2019. Pela data, nada a ver, pois, com a atual política brasileira em relação à grande floresta, dentro dos nossos limites nacionais. Já havia a intenção de decidir assuntos bem além daqueles, teoricamente, de sua alçada como chefe espiritual dos católicos. Não esqueçamos: Sua Santidade gosta de meter o bedelho onde não é chamado. A grande repercussão atual está sendo aproveitada por quem teve (ou terá) interesses ideológicos e econômicos contrariados pelas decisões brasileiras. Mas, qualquer governo vigente no Brasil, certamente, estaria elevando a voz contra essas e outras intromissões. É um caso de soberania.
Por sua vez, as oposições, como de costume, estariam estimulando abaixo-assinados via redes sociais. Não há salvação, nem queixando-se ao papa!
Por Plínio Dias Zíngano
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