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Esta postagem foi publicada em 30 de agosto de 2019 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Ideologias, por Plínio Zíngano

Do “Meu cinicário” – Estou numa idade em que a única coisa que não me dói é a consciência!

Ideologias

            Engraçado como as coincidências acontecem, inclusive, nas mais inesperadas situações. Estava eu articulando mentalmente o texto da semana – como sempre faço – decidido a tratar do tema ideologia, quando, no supermercado, passou por mim um rapaz, vestindo uma camiseta com a seguinte frase: “ideologia é nosso corpo; quem a trair vira pó” (admito, poderá haver alguma alteração no texto original, pois estou citando de memória; mas é isso aí). Independente de quaisquer outras considerações, julguei-a um tanto agressiva pela ameaça, para mim, implícita, do tipo “esteja conosco ou o céu cairá sobre sua cabeça”. A coincidência é o tema sobre o qual eu pensava escrever e salientando, inclusive, essa característica ideológica de violência.

            Quando se fala em neste assunto, a primeira coisa a surgir no nosso cérebro é o aspecto de organização das atividades de governo das nações. Logo pensamos em partidos políticos (ou total ausência deles, se vocês estão me entendendo!), cargos eletivos e leis. Sem qualquer dúvida, isso é de suma importância, já que pauta nossa conduta dentro da sociedade. Porém é, apenas, uma faceta dessa existência. O conceito real abrange uma gama imensa de verdades aceitas pelos indivíduos, abrangendo tudo. Sim, tudo! São centenas de verdades nas quais acreditamos e pelas quais lutamos intelectual, moral e, até, fisicamente, tentando impor aos outros a nossa crença.

            Olhando por este ângulo podemos concluir o quão difícil é a convivência entre as pessoas. Faça um rápido exame das suas crenças: as morais, as alimentares, as clubísticas, as profissionais, as religiosas, as econômicas, as artísticas, as sexuais, as sentimentais, as estéticas. Sugiro a você tentar mais classificações; tenho certeza, encontrará outros nichos onde se sentirá bem representado. Faça, então, uma confrontação com as ideologias de seus amigos e parentes. Constatará que nem todos pensam de maneiras semelhantes às suas. Sempre haverá pontos de discordâncias.

            O mais interessante é, não importa qual a ideologia em questão, sempre haverá alguém – o criador ou o seguidor mais barulhento e ameaçador – a lucrar com a sua prática. Admito, será difícil encontrar quem possa estar lucrando com suas crenças, pois são verdades, não é mesmo?, mas eles existem! E são violentos na defesa de suas crenças.

            Como li na camiseta, lá no supermercado: “ideologia é nosso corpo; quem a trair vira pó”.

Por Plínio Dias Zíngano
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