Polícia

Prefeito e delegada concedem entrevista à Rádio Taquara; presídio, rua bloqueada e últimos crimes pautaram o programa

Eles responderam às perguntas e falaram sobre os mais variados assuntos relacionados à segurança pública de Taquara
Prefeito Tito e delegada Rosane participaram do programa Horário Nobre.

No final da manhã desta quarta-feira (4), o prefeito de Taquara, Tito Lívio Jaeger Filho, e a delegada Rosane de Oliveira, titular da Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA), de Taquara, participaram de uma entrevista conjunta no programa Horário Nobre, da Rádio Taquara 1490 AM. O encontro já havia sido marcado para a última sexta-feira (30), porém a delegada foi convidada a participar de uma reunião com o prefeito de Igrejinha, Joel Wilhelm, para falar sobre investimentos no presídio de Taquara, e não pôde comparecer.

Durante a participação das autoridades no programa, diversos assuntos foram abordados, todos ligados à segurança pública. Investimentos da administração municipal em segurança; o fechamento da rua Guilherme Lahm em frente à delegacia, ocorrido na semana passada; os últimos crimes ocorridos no município; a situação das celas da DPPA lotadas de presos e a falta de vagas no sistema prisional pautaram a entrevista.

Titinho, que ainda não conhecia pessoalmente a delegada Rosane, realizou uma visita à delegacia na terça-feira (3) para se apresentar à titular da DPPA. “Em uma visita que fiz ontem, renovei a parceria com a delegada, nos colocando sempre à disposição. As dificuldades que ela enfrenta não são diferentes das nossas na prefeitura. O município sempre é parceiro das ações de segurança. Sabemos que legalmente o estado teria que nos disponibilizar segurança pública, mas o estado não está em condições, isso já acontece há muitos anos. Na questão de segurança, o governo federal pouco investe. De vez em quando, conseguimos reparar alguma viatura da Brigada Militar. Também temos alguns estagiários cedidos à Polícia Civil, através do Consepro. Assim vamos nos ajudando nas demandas dessa área”, comenta o prefeito.

A delegada, por sua vez, se mostrou muito contente com o primeiro encontro e disse que, com essa união, conseguirá realizar um grande trabalho em Taquara. “É uma grande honra estar na presença da autoridade máxima do nosso município. Desde o momento que a gente se viu foi uma grande empatia. Já estamos unidos na questão da segurança pública”, destaca Rosane de Oliveira. Ela agradeceu a parceria das secretarias de Administração, Educação, mas, principalmente, a secretaria de Saúde e a Vigilância Sanitária, que estiveram na carceragem da DPPA, quando a mesma estava superlotada, e foram “incansáveis no atendimento aos detentos”.

Segurança em Taquara

A delegada Rosane de Oliveira comentou sobre um dos episódios, relacionado à segurança da população, que ganhou destaque nos últimos dias: o bloqueio da rua Guilherme Lahm para o trânsito de veículos. O fato ocorreu devido à falta de espaço na carceragem para abrigar os detentos. Presos perigosos tiveram que permanecer em frente à delegacia, em viaturas da Brigada Militar, sendo custodiados por policiais militares, até que fossem liberadas novas vagas em presídios. Ela pediu desculpas à comunidade, mas afirmou que se tiver que fechar novamente, não irá pensar duas vezes.

“Vou deixar um recado para a comunidade e cidades adjacentes: enquanto eu estiver à frente da DPPA e da DP de Taquara, vou continuar prendendo e fazendo os flagrantes. Inclusive, já conversei com o capitão da BM, Juliano Arali, para que, se tivermos que manter as viaturas em frente à delegacia com os presos, nós vamos manter. A nossa obrigação funcional e constitucional é prender, é executar as leis e não vamos deixar de cumprir nosso trabalho”, afirma a delegada.

Em relação à rua ter sido fechada, o prefeito disse que atuou junto ao vice-governador e secretário de Segurança do Estado, Ranolfo Vieira Junior, para que fossem liberadas vagas no sistema prisional. De acordo com o prefeito, a situação de se ter uma rua com o trânsito interrompido, por falta de vagas em presídios, acabou afetando o comércio local e a própria comunidade. Tito disse que não gostaria que isso voltasse à acontecer, por problemas que devem ser resolvidos pelo estado. Mas se for preciso ele apoia a decisão da delegada. “Nós ficarmos com presos dentro da delegacia é inaceitável. Esse, inclusive, é um ponto que nós vamos cobrar do estado nessa semana”, disse o chefe do Executivo.

Caso Paula

Sobre caso de Paula Gislaine Martins Pacheco, de 32 anos, que foi raptada e encontrada morta uma semana depois, a delegada preferiu não relatar detalhes, mas disse que o crime está perto de ser solucionado. “Já contamos com um trabalho bem forte agora em cima disso, é nossa prioridade. A questão da Paula foi bem peculiar, porque ela foi pega e executada no mesmo dia. Então as buscas foram infrutíferas no sentido de encontrar ela viva”, informa a delegada. Rosane informou que a polícia está com duas ou três linhas de trabalho que já estão se afunilando.

Presidio Estadual de Taquara

O prefeito Tito explicou como a administração ajuda com as despesas do presídio de Taquara. “Quem banca a estrutura do presídio é o estado. Nós não temos nenhuma responsabilidade. Mas, nós temos um custo com o presídio que é a questão sanitária do local. A questão de saúde do presídio também é mantida por nós. Fornecemos médicos, consultas, tratamentos e medicamentos aos presos. Taquara tem que manter a saúde prisional. Tem gente que diz: para que cuidar da saúde de presos? Tem gente que é contra isso. A questão é que nós temos uma população carcerária. Muitos querem fechar os olhos só porque não veem os presos todos os dias. Mas imagina se deixarmos se desenvolver alguma epidemia lá. Isso pode chegar aqui fora. Os presos recebem visitas e isso pode comprometer toda a população”, constata.

“Quanto aos investimentos no local, existe uma discussão com a nova diretora da casa prisional, Mara Pimentel, para que os outros municípios comecem a ajudar. A diretora me disse: ‘Prefeito, vou deixar Taquara de fora neste primeiro momento porque é o único município que nos ajuda. Vamos buscar a colaboração de Parobé, Igrejinha, Três Coroas, Rolante e Riozinho’. Ela me disse isso porque todas essas cidades usam o presídio com seus presos, mas ninguém ajudava com nada. Essa é a mesma história que vive o Samu taquarense. Atende a todas as cidades, mas quem banca somos nós. Vamos esperar para saber com o que os outros vão contribuir para depois ver se Taquara pode ampliar a sua ajuda”, informou Tito.

Pedido à comunidade

Para finalizar, o prefeito procurou acalmar a comunidade em relação a segurança e fez um pedido. “A população não pode entrar em pânico, pois os últimos crimes foram no âmbito familiar. Nesses casos, a polícia não tem como saber para intervir. O que precisamos pedir à população é que os crimes que podem acontecer com qualquer um, como latrocínio, furtos e roubos, nem sempre são registrados. Esses casos precisam ser relatados à polícia, pois, somente com os registros, poderemos cobrar ações do estado”.

Já a delegada Rosane de Oliveira informou sobre sua reunião em Igrejinha. “Em relação à reunião, da última sexta-feira, o prefeito Joel Wilhelm, de Igrejinha, se comprometeu em conseguir investimentos, em parceria com outros municípios, para tentar viabilizar, através do Consepro, uma ampliação para o presídio de Taquara”, finaliza Rosane.

O vídeo, com a entrevista completa, pode ser acessado clicando abaixo.