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Esta postagem foi publicada em 23 de setembro de 2019 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Cooperação, por Plínio Zíngano

Do “Meu cinicário” – Democracia é o sistema filosófico-político que permite a seus inimigos, democraticamente, tramar-lhe a própria supressão.

Cooperação

Lembro, com precisão, do mês e do ano de compra do meu primeiro computador. Foi em outubro de 1994. O vendedor era – e assim permanece, depois de 56 anos – um amigo dos tempos de Exército. Admito ter ficado um pouco receoso, pois, naquela época, o conjunto computador/teclado/monitor era mais complicado e caro para se adquirir devido à menor oferta no mercado e porque o vendedor não tinha uma loja formal, embora registrada. Meu temor era em caso de assistência técnica. E, de fato, numa situação, houve essa necessidade de assistência. Mas o meu amigo se saiu bem. Tanto que, ainda, continuamos amigos (até conversamos nesta última quarta-feira, dando boas risadas).

Esta reminiscência serve de introdução a um conceito que, até então, não fazia parte do meu conjunto de atos profissionais: a cooperação. Devo adiantar: continuam fora do meu leque de atitudes. Antes de sua execração, porém, deixem-me explicar.

Com o computador, veio um conjunto de programas do tipo office, chamado “Lotus Smart Suite”, da IBM. Interessou-me demais, por razões óbvias, o “Lotus Word Pro”. Como o nome informava, era o editor de texto do pacote. Ainda tenho o CD  guardado numa caixa (vejam só: um CD!). Entre tantas capacidades, além de permitir a escrita mais rápida, permitindo, na hora, as alterações necessárias no texto trabalhado, havia a insinuação de se usar o programa, estimulando a participação da equipe na execução dos projetos. Era a tal cooperação; depois descobri, ser uma constante nos programas de computador.

Isso bateu de frente com minhas convicções. Sou bem egoísta com relação aos meus projetos. Nem aos meus alunos, jamais pedi trabalhos compartilhados. Eles sempre tiveram de resolver os problemas decorrentes de suas obrigações. Nada de diluir a autoria entre o grupo. Mas, parece, é a filosofia reinante na escola e em tantas atividades da vida moderna.

Agir desta maneira, não significa ignorar os colaboradores. Todos devemos ajudar os nossos circundantes. Quando ajudamos, tornamos a vida melhor, nossa e dos outros. Mas, obras de criação coletiva só servem para diluir as responsabilidades. Cada um deve assumir as suas! O prêmio é, justamente, o reconhecimento da autoria ou, então, sim, a execração. Sempre pessoal e intransferível!

Por Plínio Dias Zíngano
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