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Esta postagem foi publicada em 27 de setembro de 2019 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Mentiras, por Plínio Zíngano

Do “Meu cinicário” – Chamar de “exatas” as ciências que tratam das Teorias da Incerteza, das Probabilidades, do Caos e dos Limites é muita pretensão.

Mentiras

Vocês, alguma vez, já se dedicaram a pensar que um dos grandes problemas da economia está resolvido há muito tempo, mas, mesmo assim, continua a importunar a vida da nação? No nosso sistema de governo, o presidencialista – ignoro como funciona em outros sistemas –, a escolha de quem vai dirigir a economia do país gera discussão e brigas. Principalmente, quando o assunto aborda a fixação das taxas de juros a vigorarem durante um determinado período presidencial. Não há consenso nesse inútil assunto.

Mas por qual razão escrevo que essas discussões lembram aquele clássico ditado, “chover no molhado”, usado para indicar o tempo gasto com um tema cuja resposta já está pronta e na solução do qual continuamos insistindo? Basta eliminar esse cruel artifício financeiro que tanto atrapalha qualquer tomada de empréstimo para, assim, fomentar a economia do país. E não estou me referindo a empréstimos a juros do tipo de 3% ao ano, conseguido por tanta gente junto ao BNDES, o banco oficial de fomento, para comprar aviões e lanchas entre outras aplicações tão úteis para o nosso desenvolvimento! Estou falando da total, pura e simples, eliminação da cobrança desse pagamento.

 Os ministros da economia não deveriam gastar pólvora em chimango, quebrando a cabeça com o preço do dinheiro. Era só seguir o exemplo da totalidade do comércio varejista brasileiro. Todas as vendas são anunciadas, e efetivadas, sob a proteção do eslôgã: “sem juros”! No entanto, apesar dessa ousadia, os negócios vão muito bem, obrigado! Se não estão melhores, certamente, é devido a outros cacos econômicos.

Como? Terei ouvido que é impossível uma compra sem o custo a ser pago pelo dinheiro emprestado para efetivá-la? Que a inexistência desse pagamento não passa de enrolação publicitária, enganando os consumidores? Que a cantilena do “sem juros” está no mesmo patamar de “últimas unidades”, “estoque limitado”, “atendendo a inúmeros pedidos”, “o patrão saiu de férias”, “o gerente enlouqueceu”, “pensando em você”, “funcionários especialmente treinados”, “matérias-primas das melhores procedências”, “liquidação para queima de estoque”… e, sabe-se lá, quantas outras frases anunciadas? Serão elas, apenas, mentiras sedutoras?

Que feio, estamos sendo trapaceados!

Por Plínio Dias Zíngano
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