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Esta postagem foi publicada em 4 de outubro de 2019 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Falácia Esportiva, por Plínio Zíngano

Do “Meu cinicário” – Lendo revistas especializadas em automóveis, devo reconhecer: o ser humano é genial. Não pelas máquinas em si, mas pelos textos sobre elas.

Falácia Esportiva

           Entre as atividades do nosso dia a dia existe um departamento de extraordinário carisma junto ao respeitável público. São os esportes! Não há nenhuma sociedade conhecida em que as atividades esportivas não sejam incentivadas. E as populações correspondem, apoiando as diversas modalidades. O Brasil chegou a tratá-los como  política de governo, pois houve até ministério dedicado a eles (“eles”, os esportes). A força dessa atividade é tão grande que, mesmo nas nações onde a meritocracia é vista como um pecado cometido contra a igualdade e o bem-estar social, – também nelas –, os vencedores, devido aos seus méritos, são laureados e os perdedores, bem, são, apenas, meros coadjuvantes dos vitoriosos. Porque a principal característica dos esportes é almejar a vitória. O lema olímpico é uma balela; o importante é vencer! Competir é, somente, uma pedra no caminho da vitória. Para todo o mundo, se pudéssemos vencer sem competição, seria o ideal. Interessa o prêmio!

            Mas vamos nos aprofundar um pouco mais no assunto. Eu vejo qualquer esporte como um atividade artística teatral destinada a divertir as massas espectadoras. Mais ou menos como eram os espetáculos nos tempos de Roma Antiga, quando criaram aquele primor de eslôgã: panem et circenses (e sua variações). Devo admitir que uma disputa de xadrez não tem a mesma carga emocional entre os torcedores se comparada a uma partida de futebol; porém se considerarmos somente os dois jogadores a coisa muda de figura. A adrenalina vai lá em cima. Como o objetivo é vencer, eles sentem muito bem a tensão. Essa necessidade de vitória desperta nos contendores os melhores artistas dramáticos possíveis. Por isto vemos, nas partidas de futebol, magistrais interpretações de sofrimento entre os craques.

            Vocês não ficariam condoídos com o sofrimento daquelas pobres criaturas estiradas nos gramados durante os jogos? Não lhes brota uma chama de fúria justiceira, exigindo punir quem magoou um dos queridinhos do seu time? Aqueles malvadões atrevidos, ousando desafiar o seu amado time devem ser escorraçados. E o pior é que muitos torcedores passam à ação na ânsia de justiça, enquanto a pobre vítima levanta como se nada houvesse acontecido. Era uma interpretação teatral. Repetindo: no futebol é interpretação teatral. Ao contrário dos jogos de xadrez. Ali, ao contrário de no futebol, ninguém vai cair ficar estendido no chão. Logo haverá assistência médica e ambulância. Espere pra ver isso no futebol!

            Pois é, meus amiguinhos! Desde “La mano de Dios”, gol marcado por Maradona em 1986, em embate entre Argentina e Inglaterra, eu, que já não era muito chegado, agora tenho total desconfiança das regras do rude esporte bretão (para quem nunca ouviu, este é o nome com que o futebol era tratado nas transmissões de rádio brasileiras aí pelos anos 40 e 50 do Século XX). Agora, inventaram o tal de VAR. É o mesmo de quando não existia. A confusão com relação ao impedimento continua igual. Querem um sugestão mais simples e mais barata? Acabem com essa regra. As equipes logo, logo se adaptariam à provável alteração. E ficaria muito mais barato!

            Por isso, o título deste comentário.

Por Plínio Dias Zíngano
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