O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul acatou, na semana passada, recurso interposto pelo Ministério Público de Taquara, por intermédio do promotor de Justiça em substituição Leonardo Giardin de Souza, solicitando o restabelecimento da prisão preventiva de Marli Machado Martins, de 54 anos, denunciada por duplo homicídio no município de Rolante. A decisão foi divulgada na última sexta-feira (11) pela assessoria de comunicaçãod o Ministério Público.
A Promotoria denunciou Marli Marchado Martins por dois homicídios quadruplamente qualificados (por motivo torpe, com emprego de asfixia, mediante recurso que dificultou a defesa do ofendido e para assegurar a ocultação e a impunidade de outros crimes), sequestro e cárcere privado, roubo majorado, tortura, falsidade ideológica, ocultação de cadáver, furto qualificado e associação criminosa em 2014. A ré havia sido presa preventivamente e encaminhada ao Presídio Regional de Santa Cruz do Sul, mas foi solta em abril do ano passado, após a defesa alegar insanidade mental por parte da acusada.
O MP entrou com recurso contra a decisão por entender que não houve mudança no processo desde a prisão, tendo em vista o acesso a laudos médicos atestando que ela não tem problemas psicológicos, bem como a possibilidade de desordem pública, ressaltando a crueldade com que os crimes foram cometidos. Após o acórdão, Marli foi novamente presa.
OS CRIMES
Segundo o Ministério Público, em fevereiro de 2014, a mando de Marli, o companheiro dela, Valdir Ribeiro de Carvalho, 64 anos, estrangulou os idosos Lonia Gabe e Antonio Celestino Lummertz. As vítimas tiveram seus corpos queimados e suas cinzas jogadas às margens de uma rodovia em Santo Antônio da Patrulha. Segundo o MP, além de Marli e o companheiro dela, a filha de Marli, Michele Martins Justo, bem como Ronaldo Behenck Justo, Isaías Borges Zvoboda e Anderson de Oliveira Cardoso também tiveram participação nas mortes.
O casal foi sequestrado no município de Vale do Sol, onde moravam, e mantido em cárcere privado no município de Rolante. Durante o tempo em que permaneceram em poder do grupo, Lonia e Antonio tiveram seus bens roubados e foram torturados. De acordo com a Promotoria, o sequestro aconteceu porque, em 1999, Antonio prestou depoimento que contribuiu para que Marli fosse condenada por homicídio qualificado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Torres. Antes de ser morto, o homem foi obrigado a redigir uma carta e a gravar um vídeo incriminando a si próprio e inocentando a ré pelo antigo crime.


