Aurora Dolores Kassick, 64 anos, é natural de Cantagalo em Rolante. É formada em História, Geografia, Terapia Comunitária (pela faculdade federal do Ceará) e Pedagogia com especialização em Administração Escolar. Leciona História, Geografia e Ensino Religioso na escola Sagrada Família de Rolante, onde também é vice-diretora e responsável pela biblioteca, atuando ainda nos projetos Hora do Conto e Amigos do Meio Ambiente (AMA). É coordenadora da Pastoral da Criança de Rolante e, em março, receberá o Troféu Ana Terra, representando o Conselho Regional de Desenvolvimento Paranhana / Encosta da Serra.
O que representou ter sido indicada para receber o Ana Terra?
Para mim, o troféu não é uma glória pessoal, mas, sim, uma forma de tornar visível o trabalho realizado pela Pastoral da Criança de Rolante. Me sinto feliz por poder representar esse grupo que trabalha tanto e que, às vezes, se sente tão pequenino perto de tudo que se tem para fazer. Atuo na Pastoral desde sua fundação, há 12 anos. Hoje temos seis comunidades que trabalham no resgate de ações básicas como educação, saúde e cidadania. Além de coordenar os trabalhos da entidade, mantenho atividades próprias, como um grupo de alfabetização de adultos no Morro da Figueira. Exerço, ainda, uma função dentro da Diocese, como responsável pela ação Brinquedos e Brincadeiras. Através dela, preparo multiplicadores e brinquedistas de todas as Dioceses do Estado.
O que a levou a seguir a vida religiosa?
Fui aluna do Colégio Santa Teresinha, em Taquara, e tinha duas professoras que eu admirava muito: a Irmã Luciana e a Irmã Isvalda. O dom que elas tinham de trabalhar com a “peruada” me cativou, e Deus fez o resto. Por isso, acredito que a questão do exemplo é muito importante. Muitas vezes, só vemos o exemplo do mal e esquecemos de ver que o bem também funciona.
Fale sobre suas experiências em escolas e casas de Notre Dame.
Dei aula em escolas da rede em Taquara, Rolante, Canoas, Caçapava e Cacequi. Nessas três últimas, também atuei como diretora e hoje atuo novamente na escola de Rolante. Houve também um período em que passei no exterior, realizando um trabalho para a congregação. Na época da Revolução Francesa, as igrejas eram nacionais e não tinham relação entre si. A partir de Santa Júlia Billiart, nossa mãe espiritual, foram criadas três congregações de Nossa Senhora, que partilham o mesmo carisma, a mesma inspiração. Em função dessa integração, em 1976 eu e outras irmãs, representantes das três congregações estivemos em países como Inglaterra, Holanda, Alemanha e Itália, fazendo esse trabalho de valorização das características que, por questões políticas e históricas, foram afastadas.
Quais são suas principais características pessoais?
Sou exigente e muito ativa. Gosto de trabalhar bastante e não me acanho em falar.
O que você gosta de fazer a título de lazer?
Escutar música, ler e fazer artesanato. Sempre tenho comigo trabalhos de tricô, crochê, bordado e também gosto de experimentar trabalhos alternativos.
O que a tira do sério: a burrice, pessoas que não querem aprender nada e não aproveitam as chances para melhorar de vida.
Quais são seus planos para o futuro?
Meu sonho é trabalhar com o povo do interior, para aqueles que a vida não deu muita chance. Pretendo me dedicar, através de tudo o que já aprendi, para poder facilitar a vida dos outros, ajudá-los a obter recursos para proverem sua subsistência, com o próprio trabalho, para que tenham condições de se manter, sem passar fome ou pedir esmola.
Estilo Musical: música tradicional gaúcha.
Um lugar: Rolante.
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