Perfil

Clara Maria Czermak Rick

Clara Maria Czermak Rick, 86 anos, é natural de Taquara. Viúva e mãe de três filhos (Ricardo, 61 anos, Alexandre,

Clara Maria Czermak Rick, 86 anos, é natural de Taquara. Viúva e mãe de três filhos (Ricardo, 61 anos, Alexandre, 56, e Silvia, 52), tem nove netos e três bisnetos. É professora aposentada e, recentemente, foi uma das homenageadas do Momento Mulher.

O que significou para você ter recebido este destaque no Momento Mulher?

Pensei: “Como é que foram lembrar de mim?”. Foi muito gratificante, uma das grandes alegrias da minha vida.

O que representa para você ser filha do primeiro médico que se instalou em Taquara?

É uma grande honra. Como não existia hospital no município, meu pai também construiu, no mesmo terreno do consultório dele, uma casa de recuperação, para onde eram levados os pacientes recém-operados. Recentemente, Maria Eunice Kautzmann publicou um livro que conta a história dos primeiros médicos que vieram para cá e pude relembrar ali a minha infância. Meu pai faleceu quando eu tinha dois anos e, então, passamos por uma fase bastante difícil. Éramos em 13 filhos, e criar todos eles deu bastante trabalho para a nossa mãe.

Por que você escolheu ser professora?

Desde pequena, sempre sonhei seguir essa profissão. Me formei no Colégio Santa Catarina, em Novo Hamburgo, onde fiquei por três anos no internato. Após, trabalhei em Canela, Várzea Grande, Igrejinha e Parobé. Casei e fui nomeada para uma escola de Porto Alegre. Quando nasceu meu primeiro filho, voltei para cá, pois tanto meu marido (Ivo Rick) quanto eu éramos taquarenses. Além de gostarmos da cidade, achávamos que seria mais fácil criar a família aqui, em uma cidade menor, com mais liberdade. Atuei como diretora do Rodolfo von Ihering por seis anos. Foi um tempo muito bom, fiquei muito sentida quando parei de trabalhar. Faz 39 anos que me aposentei.

Compare o ensino de hoje e o de antigamente.

Em alguns pontos ele progrediu muito, como na parte técnica. Mas, na parte de ensino mesmo, regrediu. O programa era muito mais extenso. Podemos perceber a diferença com exemplos na matemática. Hoje muitas crianças não sabem fazer conta. Antigamente não existiam essas “maquininhas” calculadoras: tínhamos é que colocar a cabeça para funcionar. Nossa matemática era muito mais bem aplicada.

Uma dica de vida: Eu sempre tive muita saúde. Ainda com 86 anos não preciso de óculos para ler. Acredito que lidar com crianças faz a gente se conservar. Agora estou no Lar Dona Olga (em Parobé) há três anos e procuro acompanhar todos os empreendimentos que a casa faz. Tento ajudar no que posso, faço aula de educação física duas vezes por semana e participo das aulas de arte.

Comente sobre seu trabalho no presídio de Taquara.

Depois do magistério, o trabalho que mais me encantou foi no presídio, onde contei com duas auxiliares extraordinárias: a Gabriela (Gabriela Rangel Heller) e a Maery (Guaracy Maery Werb). Ao contrário do que se pensa, encontramos lá pessoas boas, mas que não foram orientadas para isso. Eram culpadas, mas levadas pelas circunstâncias, em função de uma grande pobreza cultural.

Como você se define?

Me considero uma pessoa muito sonhadora. Ainda penso em fazer muitas coisas, mas sei que não posso. Tenho levado uma vida muito feliz, pois desenvolvo atividades e não gosto de ficar parada.

O que gosta de fazer a título de lazer?

Ler e ouvir música.

Qual é o seu maior sonho?

A recuperação do meu lar de infância. Tenho um sentimento muito grande pela casa onde nasci e que hoje encontra-se depredada por vândalos. É um lugar tão lindo e tão próprio para tantas coisas. Poderia ser transformada em um asilo ou em algo que continuasse os ideais de meu pai, pois ele fez a casa mais linda que poderia, com toda a grandeza do primeiro mundo que ele trouxe para Taquara.

Deixe uma mensagem para os leitores do jornal:

Aprendi muito aqui no lar. Vi que é preciso ter paciência, saber escutar, mas uma coisa é realmente importante: o amor com que nós fizemos tudo. “Só o amor constrói”. Isso é algo muito antigo, mas também muito novo.

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