
O prefeito de Taquara, Tito Lívio Jaeger Filho, antecipou, nesta terça-feira (10), ao Jornal Panorama, que há tratativas bem adiantadas com uma nova instituição para assumir o Hospital Bom Jesus, que fechou as portas pela manhã. O chefe do Executivo, por enquanto, se reservou a não revelar o nome dessa instituição, alegando que é uma medida para preservar a entidade com relação a questões que ainda precisam ser resolvidas, como a forma de contratação e a necessidade de homologação de um acordo junto à Justiça Federal. Mas, segundo Tito, até a data fixada pelo Judiciário para a apresentação de um plano de trabalho, 18 de março, isso será remetido à avaliação do juiz Norton Benites.
Tito disse que as tratativas estavam bem adiantadas para que essa nova instituição assumisse no início de abril. Com a saída da Silvio Scopel nesta terça-feira, esse plano de trabalho está sendo acelerado. Uma das questões que são importantes a serem resolvidas é a decisão da Justiça que previa a necessidade de um chamamento público por parte da prefeitura para a escolha da nova entidade. A administração municipal vem defendendo que este chamamento não dá a solução necessária ao hospital, e busca evitar o procedimento. Segundo Tito, já há, neste sentido, a concordância do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público Estadual (MPE). Para tanto, a instituição que vai assumir terá que cumprir alguns requisitos, como a filantropia e o possuir expertise na gestão de hospitais, o que está assegurado.
O prefeito reforçou que todo o plano de trabalho da nova instituição será encaminhado à Justiça no prazo estabelecimento e, provavelmente, já poderá ser divulgado. A ideia é que a entidade comece a atuar até o começo de abril. Por enquanto, Tito lamentou o fechamento, mas disse que será necessária a paciência para a evolução dessas tratativas. “Infelizmente, não contávamos com essa saída”, disse o prefeito, acrescentando, porém, que foi elaborado em conjunto com o governo do Estado um plano de contingência para que a população não fique desassistida. Houve reforço nas equipes do Posto 24 Horas e a prefeitura também colocou mais ambulâncias à disposição e está tomando todas as precauções para assegurar os serviços junto aos outros hospitais da região.
Hospital ficará fechado e com vigilância
A partir desta terça-feira, até que todos os serviços voltem a funcionar, o Hospital de Taquara ficará fechado e com vigilância de equipe contratada pela Prefeitura. A informação foi repassada ao Jornal Panorama pelo secretário municipal de Saúde, Vanderlei Petry. Segundo ele, não será permitida a entrada de pessoas no hospital, à medida que a casa de saúde está interditada e sem receber pacientes. Na linha do que o prefeito adiantou à reportagem, Petry disse que nos próximos dias deverá ser formalizado um plano de trabalho com uma nova entidade gestora para o hospital.
O secretário acrescentou que, no final da tarde desta terça-feira, todos os pacientes que estavam na casa de saúde foram transferidos para outros hospitais da região. A Prefeitura de Taquara auxiliou com 17 remoções. No Posto 24 Horas, houve o acréscimo de mais médicos à noite e Petry disse que, durante o dia, a demanda tem sido atendida de forma suficiente pela equipe então disponível. O secretário anunciou contratações emergenciais para exames e que o Estado também disponibilizou sistemas para transferências de pacientes a outros hospitais.
Simers esteve no hospital
Ainda nesta terça-feira, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) enviou sua diretoria ao Hospital Bom Jesus, de Taquara. Segundo o delegado local, Fábio Strauss, o objetivo foi conferir o atendimento prestado aos pacientes e a situação da casa de saúde. Avaliando a situação, o médico disse que, no hospital, o que sempre se observou foi um jogo de empurra-empurra muito grande por parte da gestão e do poder público, um culpando o outro, e que prejudicou quem precisa de atendimento. “Isso mostra que não tem uma unidade de gestão a nível tanto de hospital, quanto de município e estado. É uma desorganização e acaba acontecendo isso. Fica o paciente e os profissionais da saúde com prejuízo”, disse.


