
Preciso confessar um segredo
Nunca foi por mal. Nunca foi consciente, mas já aconteceu.
Diversas canelas em algum momento de suas vidas, tiveram contato com um toque sutil e despretensioso de alguma das aventureiras que eu já tive.
Acredito que seja uma marca registrada de todo cadeirante. Especificamente no meu caso, quase a totalidade das vezes se deu em momentos em que o condutor não era eu. A experiência de ser motorista de cadeira de rodas, como de qualquer outro veículo, dá as noções e os reflexos necessários para que em um circulo grande de pessoas em que se estiver em deslocamento, saber dosar a velocidade. Quem não tem muito a rotina de empurrar uma cadeira de rodas, só se preocupa em conduzir bem a cadeira e a pessoa que está sentada nela. Então, muitas vezes o próprio cadeirante auxilia nesse processo.
O maior receio é sempre de que a pessoa atingida reclame ou algo do gênero. Dá uma certa vergonha, dependendo de quem seja, uma vontade de se esconder. Em outros casos a gente dá risada.
Ainda não criaram CNH para cadeirante, mas a gente até que se vira direitinho.
O mundo pelos olhos de um cadeirante não é melhor, nem pior que o de ninguém. Mas tem umas peculiaridades que vale vocês conhecerem. E é isso que buscamos passar com essa coluna.
Mês que vem eu conto como eu desço as escadas sem auxílio de ninguém.
E não esqueçam: Se beberem, empurrem com moderação.
Por Cassiano Gottlieb, de Taquara
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