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Esta postagem foi publicada em 12 de fevereiro de 2010 e está arquivada em Colunas, Penso, logo insisto.

James Paul McCartney

plinioDo “Meu livro de citações” – A maioria das pessoas, diante do teclado do computador, age como terrorista: explode impiedosamente a língua escrita.
JAMES PAUL McCARTNEY
James Paul McCartney, o velho Macca, para os entendidos em Beatles, foi um dos meus heróis na adolescência. É uns dois anos mais velho do que eu e, confesso, tenho algum pejo em dizer, hoje, que sou seu admirador, pois a adolescência já passou faz muito tempo. Todavia, a participação dele no mundo das artes dá amparo ao meu sentimento agora, nestes tempos de protegido pelo Estatuto do Idoso: James Paul é um grande compositor musical e quem de nós não tem lá suas preferências musicais, não é?
Algumas canções se tornam tão famosas que extrapolam seu círculo de tietagem e ficam como marcas do gênio, mesmo quando nós não gostamos de um ou outro intérprete. Só para situar os leitores, no Brasil, temos, por exemplo, Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, e Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes; na França, La Mer, de Charles Trenet. Pois McCartney faz parte desse panteão com Yesterday. Oficialmente, a música foi composta em parceria com John Lennon – outro fera –, mas, marca a História, é composição apenas dele. Segundo o Guiness Book, Yesterday é a canção mais gravada da história, com mais de 3.000 registros. Ou seja, minha admiração pode ser um resquício bobo dos meus verdes anos, mas tem uma firme lógica, baseada na inspirada produção do autor em questão.
Até aqui parece que me transformei em crítico musical, certo? Lamento desapontá-los. Estava só preparando vocês para falar num dos meus temas prediletos, o aquecimento global, e isto nada tem de artístico.

Aconteceu que Sir James Paul deu a graça de sua presença na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, realizada em Copenhague, capital da Dinamarca, em dezembro do ano passado, e não foi para apresentar um dos seus aplaudidíssimos xous. Ele compareceu para fazer proselitismo de sua crença alimentar, o vegetarianismo. E nesse instante, apesar de todo o seu talento musical, desafinou.
Nada tenho contra os vegetarianos. Eles são frugívoros e eu, por onivoridade, também sou, salvo no tocante à cebola. O que me incomodou foi a tese defendida pelo eterno beatle. Ele propõe a eliminação do consumo da carne bovina para forçar a diminuição dos rebanhos, pois para essa turma, os gases intestinais vacuns têm importância fundamental na elevação da temperatura da Terra. O mais estranho é que ele se restringiu às vacas. E todos os outros flatulosos seres vivos? Esses estão liberados? Se é assim, pelo menos para o nosso lado, os humanos, a coisa não está feia.
Não, meu herói juvenil! Suas teorias só conseguem tornar mais inverossímil essa história de aumento de calor global. Deixe as vaquinhas em paz e continue na música. O planeta agradece.

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