A Usaflex, que anunciou férias coletivas de 30 dias em todas as unidades, nesta quinta-feira (19), confirmou nesta sexta-feira (20) que também decidiu reduzir a mão de obra da empresa, com corte de 15%. A decisão foi tomada pelo comitê de crise – criado pela direção da indústria e seus franqueados, frente ao cenário econômico estabelecido com a crise do Covid-19 – e confirmada nesta sexta, durante entrevista coletiva que aconteceu via transmissão na internet. O Jornal Panorama participou da coletiva.
Conforme o CEO da indústria, Sergio Bocayuva, o comitê se adiantou a fim de garantir a longevidade e sustentabilidade da empresa e tomou algumas decisões frente ao cenário econômico que, segundo ele, tende a ficar ainda mais delicado nos próximos dias. A Usaflex concedeu férias coletivas de 30 dias para os funcionários das linhas de produção de todas as unidades; demitiu 15% dos funcionários – sendo mais de 50% destes em contrato de experiência, 30% da produção noturna e o restante pelo critério de redução de pessoal – e implantou o regime de trabalho remoto para o setor corporativo da empresa.
Bocayuva destacou que a ameaça do Covid-19 pegou a empresa num momento de crescimento, quando, nos últimos dois anos, aumentou 50% do faturamento, abriu 200 lojas franqueadas, lançou a marca em mais de 50 mercados internacionais e aumentou a linha de produção em 25%. Com as medidas implantadas pela empresa, em virtude do coronavírus, a produção da empresa, que era de 25 mil pares/dia, cairá para 18 mil pares/dia.
O CEO considerou que o impacto do coronavírus no setor econômico é muito pior do que muitos estão enxergando. “Muitos estão com uma visão míope, parando apenas 15 dias. Acho que não estão tendo dimensão da crise”, afirmou Bocayuva. No entanto, o CEO defendeu que, apesar da crise ser grave, ele acredita que as empresas que fizeram “o dever de casa” vão sobreviver e retomar os negócios ainda mais fortalecidos com a experiência.
Com relação às demissões, Bocayuva destacou que a Usaflex sempre encarou os colaboradores como prioridade, e neste momento optou pelas demissões justamente para garantir a sobrevida da empresa, tendo como possibilidade a readmissão das pessoas num segundo momento. A empresa se comprometeu em oferecer cestas básicas aos funcionários demitidos por dois meses. “Enquanto nos cuidamos em casa, eu, por exemplo, tenho trabalhado 26h/dia”, brincou o CEO se referindo ao trabalho remoto.


