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Em meio a pedido de socorro de ex-funcionários da Scopel, Estado deposita valor para pagamentos em atraso

Ex-funcionários do Hospital de Taquara afirmam que estão sem dinheiro para pagar aluguel, comprar alimentos e outros itens básicos.

Um grupo de ex-funcionários da Associação Beneficente Silvio Scopel (ABSS) procurou a reportagem do Jornal Panorama, nesta terça-feira (31), e diz que não sabe mais o que fazer. Conforme o grupo, eles estão sem receber um centavo desde o dia 6 de fevereiro de 2020, quando foi efetuado o pagamento referente ao mês de janeiro. A associação, que renunciou ao comando do Hospital Bom Jesus (HBJ), de Taquara, no último dia 9 de março, se comprometeu em quitar todos os débitos, mas sempre informou que precisava de depósitos do Estado e da Prefeitura. Porém, de acordo com os funcionários, até o momento, a Scopel não pagou os salários – referente ao mês de fevereiro e 10 dias do mês de março; duas parcelas do 13º salário, referente ao ano de 2019 – que foi parcelado em quatro vezes; e a rescisão contratual, que também não foi paga pela entidade. Os ex-colaboradores relatam que, como ainda estão com suas Carteiras de Trabalho (CTPS) assinadas, não conseguem retirar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e encaminhar o pedido ao Seguro Desemprego, o que tem agravado a situação.

A técnica de Enfermagem Maria Paula da Silva diz que, além de não ter recebido, seu marido também estava desempregado, até o início deste mês. Segundo ela, eles têm sobrevivido através de doações e com ajuda de familiares. “Estamos sem receber desde o dia 06/02 nem um real, sem contar que contávamos com o décimo terceiro que foi pago apenas duas parcelas. Desde então, estamos passando por várias dificuldades. Tenho três filhos, uma adolescente de 15 anos e dois pequenos que ainda tomam mamadeira e usam fralda. Não estamos conseguindo nem comprar leite e fraldas pra eles. O que ainda está nos suprindo foram as doações de cestas básicas e a ajuda de familiares”,  conta Maria. A técnica destacou, ainda, que está com as contas de água, luz e o financiamento da casa em atraso. Maria disse que, além dela, existem outros 230 ex-funcionários que estão passando por essa mesma situação.

Outra ex-funcionária da Silvio Scopel, a também técnica de enfermagem Andressa Maiara Peres relata que, assim como os demais ex-colegas, está passando por uma grande crise, pois, segundo ela, desde o mês de dezembro as coisas começaram a complicar quando o 13º salário foi parcelado. “Gostaríamos apenas de ter uma posição concreta dos superiores referente à essa situação. Moro sozinha, pago aluguel e tenho um filho pequeno que depende totalmente do meu ganho. E com isso estamos de mãos atadas porque nem tivemos baixa nas carteiras para poder encaminhar o pedido de Seguro Desemprego. Quero saber , assim como muitos, o que vai ser de nós? Quando vamos receber? Quando vão nos dar um parecer?”, questiona Andressa.

O que diz o prefeito de Taquara

A reportagem do Jornal Panorama entrou em contato com o prefeito de Taquara, Tito Lívio Jaeger Filho, na noite desta terça-feira (31). Titinho disse que se solidariza com a situação que os ex-funcionários da Silvio Scopel estão enfrentando. O prefeito destacou que, em relação ao contrato que a Prefeitura de Taquara possuía com a ABSS, todos os valores, referentes aos serviços que foram prestados e comprovados à prefeitura pela entidade, estão em dia. Tito frisou que, em reunião realizada com o grupo de ex-funcionários, se comprometeu em ajudar como fosse possível.

De acordo com o prefeito, uma petição foi protocolada ao juiz federal, Norton Benites – que cuida do processo relacionado ao Hospital Bom Jesus – pedindo para que o depósito do valor pendente, que o Governo do Estado deve à Scopel, não fosse efetuado em uma conta da própria entidade. O Ministério Público concordou com o pedido e a Justiça determinou que, quando os valores em atraso fossem pagos deveriam ser depositados em uma conta específica do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Na tarde desta terça-feira, o prefeito recebeu a confirmação, do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), que os valores pendentes referentes a débitos do Estado com a Scopel, foram quitados. O governo do Estado efetuou o depósito de R$ 2.786.842,25 em uma conta do MPT. Esse valor deverá cobrir os débitos da Silvio Scopel com seus ex-funcionários.

Ainda conforme o prefeito, o Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MPE) e o Ministério Público do Trabalho (MPT), têm até 30 dias para efetuar o pagamento aos ex-colaboradores, porém, se comprometeram em organizar o sistema de pagamento e efetuar a quitação dos débitos o mais breve possível. Tito encaminhou uma cópia da “Guia de Depósito Judicial à Ordem da Justiça Federal”, que comprova o depósito realizado na tarde desta terça-feira.

Confira abaixo cópia do depósito: