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Promotoria recomenda que Titinho não edite decretos em desacordo com regras estaduais

Prefeito de Taquara havia anunciado liberação para atividades que seriam proibidas por regras do distanciamento controlado do governo do Estado.

O Ministério Público de Taquara encaminhou recomendação ao prefeito Tito Lívio Jaeger Filho para que se abstenha de editar normas de enfrentamento à pandemia de Covid-19 em desacordo com a legislação estaudal. Segundo o documento, assinado pela promotora de Justiça Ximena Cardozo Ferreira, em havendo interesse local ou necessidade, eventual norma municipal somente poderá ser mais restritiva do que a estadual, e não menos. A medida ocorre após o prefeito ter anunciado, no domingo (10), que permitiria o funcionamento de algumas atividades que estão restritas pelo decreto de distanciamento controlado do governo do Estado.

Na recomendação, a promotora pede a imediata divulgação e que o prefeito adote as providências necessárias para prevenir eventuais violações a lei. Além disso, concedeu prazo de 48 horas para resposta por escrito da administração municipal à Promotoria de Justiça. “O desatendimento à presente recomendação poderá implicar na adoção das medidas legais e judiciais cabíveis, objetivando-se, inclusive, a punição dos responsáveis, além da responsabilização civil por eventuais danos que ocorrerem”, escreveu a promotora.

O texto possui uma série de considerações sobre os motivos que levaram à expedição da recomendação. Entre elas, pondera que a autoridade de saúde local deverá, no âmbito de suas competências, acompanhar as medidas para o enfrentamento da pandemia. Acrescenta que a capacidade legislativa dos municípios está limitada à suplementação das diretrizes das normativas federais e estaduais, conforme a Constituição Federal. Por isso, a recomendação afirma que, assim como a legislação suplementar estadual não deve desbordar das regras gerais estabelecidas pelo ente federal, evento regramento municipal deve ser harmônico em relação à disciplina estabelecida pela União e pelo Estado. “Não sendo possível, portanto, que o município edite normas flexibilizando as previsões federais e estaduais, admitindo-se tão somente o aumento da proteção através da publicação de normas de caráter mais restritivo”, acrescenta.

A recomendação menciona ainda que, eventual norma suplementar municipal, deve ser editada com base em evidências científicas e em análises sobre as informações estratégicas em saúde. Deve, também, limitar-se no tempo e no espaço ao mínimo indispensável à promoção e à preservação da saúde pública, com a necessária observância das orientações emitidas pelas autoridades de saúde, notadamente a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde. Cita que, no momento, é indicada a manutenção do isolamento social para enfrentamento da Covid-19, em consonância com as atuais orientações da OMS, do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde.

Distanciamento controlado

No sábado (9), o governador Eduardo Leite anunciou a implantação do modelo de distanciamento controlado no Rio Grande do Sul. Por meio da medida, o estado foi dividido em 20 regiões, e classificado com cores de bandeiras. A região de Taquara, que compreende os seis municípios do Vale do Paranhana (Igrejinha, Parobé, Riozinho, Rolante, Taquara e Três Coroas), além de São Francisco de Paula e Cambará do Sul, recebeu, na primeira semana do distanciamento controlado, a bandeira amarela. Isso faz com que não seja permitido o funcionamento de três atividades econômicas: restaurantes buffets, bares e pubs e espaços para festas.

Contudo, em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o prefeito Tito Lívio Lívio Jaeger, no domingo (10), analisou que a situação de Taquara se mantém estável e, por este motivo, anunciou que flexibilizaria o funcionamento do bares e pubs e dos espaços de festas. Com relação aos restaurantes buffets, o prefeito mencionou que não editaria decreto prevendo o seu fechamento, por entender que a regra estabelecida por Taquara, de exigir anteparos salivares e as medidas de higiene, vinham se mostrando suficiente. Essa manifestação do prefeito é que acarretou na recomendação expedida pelo Ministério Público.

Consultado pelo Jornal Panorama, o prefeito confirmou o recebimento de notificação sobre a recomendação do Ministério Público, mas disse que ainda não possui uma posição tomada a respeito. Afirmou que discutirá o assunto com sua assessoria jurídica para elaborar a resposta que será encaminhada à Promotoria no prazo estabelecido.