
Do “Meu cinicário” – Sinceridade: são as palavras com que você enche a boca para dizer que tem, mas que jamais gostaria de ouvir de pessoas minimamente polidas.
A MILITÂNCIA
Ao longo da História, os dias têm sido muito tumultuados. Se vocês leram, em algum livro, que determinado período foi tranquilo, tudo funcionando maciamente, lamento enxovalhar suas crenças. Sabem o motivo? É porque as ocorrências envolvem múltiplas vontades pessoais e cada um de nós pensa diferente dos amigos, dos parentes, dos vizinhos (o “nós” engloba a humanidade, nos milênios de nossa existência). Estamos acostumados a ver, em tais livros citados acima, descrições muito sucintas e generalizadas da vida das civilizações. Quanto mais antigos os textos, mais gerais são as referências. Tem lógica, pois faltam narrativas acuradas dos acontecimentos, alguns abarcando períodos sem existência da escrita ou pouco alfabetizado. Boa parte deles se transformam ao longo dos séculos, virando verdades absolutas sem comprovação ou lendas. Mesmo em tempos modernos, quando os meios de comunicação se tornaram instantâneos – basta olhar a televisão transmitindo ao vivo os acontecimentos – ainda assim, nossos julgamentos são passíveis de entendimentos variados.
Assistimos ao fato, mas cada um o digere sob sua ótica particular. A mais simples e natural avaliação de qualquer coisa é “gosto” ou “não gosto”. Vejam as crianças! Elas exercem esse juízo sobre tudo, desde a mais tenra idade, sem apresentar justificativas (até porque, na tenra idade, não desenvolveram as condições de explicar seus sentimentos; mas demonstram). Procurar justificativas já representa uma evolução, estabelecendo razões para algum acontecimento. Porém essas razões continuam sendo avaliadas em foro íntimo. Fica claro: avaliações, embora particulares e diferenciadas, coincidem, de maneira geral, com as de outras pessoas, sendo assim englobadas em feixes de ideias. A exploração desses feixes cria grandes agrupamentos humanos. São as ideologias. Todos os componentes dum grupo, lutam para atingir o mesmo objetivo: o nirvana.
Temos, então, o surgimento da militância. Seus membros atendem chefetes; esses obedecem ordens de chefes superiores; assim, até chegar a um chefão. No fim das contas prepondera o viés do bambambã. O militante acredita estar lutando por uma causa nobre e a ela se dedica bravamente. Acha que, ao vencer os “inimigos”, as pequenas discrepâncias com o pensamento do chefe supremo serão contornadas e tudo ficará melhor. Ledo engano! Ou o militante já faz parte “do time”, ou continuará peão. Sua honra será, apenas, manter os comandantes bem satisfeitos.
Para conhecer isto, mesmo com pouca informação da História, basta dar uma pesquisada em qualquer organização. Nada mudou durante todos os séculos transcorridos.
Por Plínio Dias Zíngano
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