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Taquarense relata que médico disse que Hospital Bom Jesus seria “o último lugar” para levar a sua mãe

Segundo nova situação encaminhada ao Panorama, mulher com suspeita de AVC não teve atendimento no Hospital Bom Jesus.

Um médico do Hospital Bom Jesus declarou a uma filha, que levou sua mãe para atendimento na casa de saúde, que aquele seria “o último lugar” que ela deveria ter encaminhado a paciente. A alegação foi de que o hospital está “tratando com coisa pesada”, como casos relacionados à Covid-19, e que, se precisasse, o local para o atendimento seria o Posto 24 Horas. Detalhe: a paciente estava com suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC), devido a um coágulo que posteriormente foi diagnosticado. O caso aconteceu no último dia 25 de maio e foi relatado à reportagem do Jornal Panorama por Luciane Dani Klein, que levou sua mãe, Emília Klein, de 90 anos, para o atendimento na casa de saúde. Ela autorizou a divulgação do seu nome nesta matéria.

Segundo Luciane, desde a noite do domingo, dia 24 de maio, sua mãe apresentou alguns sintomas. Na tarde da segunda-feira, logo por volta de 14 horas, decidiu que seria preciso verificar estes sintomas, e que não adiantaria levar no Posto 24 Horas, pois este não possui os exames necessários, como tomografia e raio-x. A própria Luciane suspeitava de um coágulo, visto que sua mãe tinha sofrido uma queda recentemente.

Luciane contou que passou pela triagem da enfermeira do hospital, e houve a suspeita de AVC. Sua mãe foi indicada a aguardar até o atendimento do médico, e a filha conta que ficou esperando em uma sala do hospital, numa cadeira de rodas disponibilizada pela casa de saúde. Após três horas, o médico chegou na porta desta sala e aconteceu o fato surpreendente: não houve qualquer diagnóstico ou verificação, conta Luciane. O médico apenas disse que aquele seria o último lugar que ela deveria ter procurado para sua mãe, recomendou que voltasse para casa e que, se fosse necessário, deveria se dirigir até o Posto 24 Horas.

A filha argumenta que não levou até o Posto 24 Horas, inicialmente, por saber que o local não possui os exames necessários. Luciane acrescenta que se sentiu, inclusive, culpada, por ter exposto a sua mãe a risco, conforme argumentado pelo médico, por conta de Covid-19. Naquela mesma segunda-feira, havia uma paciente com AVC no hospital, que estava na UTI e, segundo sua filha, também foi tratada pela casa de saúde com suspeita de Covid-19, conforme reportagem divulgada recentemente pelo Jornal Panorama. Os exames posteriores mostraram que essa paciente não possuía a doença provocada pelo novo coronavírus.

Na segunda-feira à noite, Luciane foi para casa com sua mãe, e permaneceu cuidando dela. Já no dia seguinte, com a piora da situação, entrou em contato com uma geriatra, a mesma que atendeu sua mãe na queda ocorrida recentemente. À noite da terça-feira, a médica voltou a diagnosticar a paciente no Posto 24 Horas e, pelo quadro, determinou a internação no Hospital de Igrejinha. Na casa de saúde do município vizinho, foram realizados os exames na quarta-feira, dia 27 de maio, quando foi determinada a transferência para Gramado, visando a realização de uma cirurgia de emergência. Neste dia, Luciane diz que sua mãe não estava mais falando. “Se tivesse sido atendida no hospital e feito o exame ou encaminhada para um hospital de neurologia na segunda-feira, não teria corrido o risco que correu”, pondera a filha.

“Nunca pensei que poderia passar por uma situação dessas aqui no hospital, porque até então sempre fomos atendidos. Inclusive minha mãe, já passou por uma isquemia, e foi atendida na emergência, ficou ali internada dois dias. E nunca pensei em passar por uma situação dessas”, desabafa Luciane. Na quarta-feira passada, dia 3 de junho, a mãe de Luciane morreu. Segundo Luciane, a causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória. Não é possível afirmar a relação direta com a falta de atendimento no Hospital de Taquara, mas é possível que a situação tenha sido agravada pelo problema. Até então, Emília vinha se recuperando bem da cirurgia realizada em Gramado.

Contraponto do hospital

A reportagem do Jornal Panorama recebeu este caso no último dia 31 de maio. Na semana passada, submeteu o assunto à assessoria de imprensa do Hospital Bom Jesus, com pedido de posicionamento – que não foi remetido até esta segunda-feira, dia 8 de junho. Se o hospital se posicionar, a resposta será acrescentada a este texto.