Salto da cama pela manhã. Seja a que hora for, imediatamente, dirijo-me à cozinha em busca dos primeiros dois copos de água, dos oito que pretendo tomar durante o dia. Pretendo…
Abro a janela, de onde enxergo a rua. E lá está ela. Como um farol, como um norte que poderia guiar o viajante em alto mar. Clara, vívida, encantadora!
Ela é apenas uma lâmpada, mas o seu brilho é intenso, mesmo quando enfrenta o clarão do sol… Enquanto tomo a minha água, fico a observá-la. É bonita, sem dúvida. Por incrível que possa parecer, nessa hora sem graça da manhã, a minha lâmpada me faz ter pensamentos saudosos, lembranças de outros tempos, e por aí vai…
Na infância, gostava de cantar: “esta pequenina luz, vou deixar brilhar…” Minha lâmpada, porém, não é pequena. Muito pelo contrário. Outras vezes, ao olhá-la, lembro-me do verso bíblico que diz: “Lâmpada para os meu pés é a Tua palavra”…
Poderia citar muitos outros motivos pelos quais concluo que a “minha” lâmpada é realmente muito importante… muito luminosa e muito bela. Ao meio-dia, ela ainda está lá… À noite… bem, à noite é legítima hora em que ela deve estar lá para cumprir a missão que verdadeiramente lhe cabe.
Tudo muito sentimental, muito emocionante, muito romântico até, não fora o fato de esta lâmpada ter estado acesa durante as 24 horas que compõem o dia e a noite. Não. Não faz uma semana, ou um mês… Faz, ou melhor, fez em novembro de 2009 (pasmem!) dois anos! Como só comecei a observá-la em novembro de 2007, não duvido de que seu brilho ininterrupto seja mais antigo.
É, meus caros… tudo muito brilhante, não fora também aquele itenzinho que vem mensalmente em nossa conta de luz: “taxa de iluminação pública”. Quem será que está pagando a despesa que a “minha” lâmpada acarretou nesses mais de dois anos de brilho lindo, concorrendo com o sol e com a lua? Todos sabemos a resposta, pois não?
Depois de ir de Anás a Caifás (inclusive notinha no Panorama buscando alertar os responsáveis) e nada ter sido feito, resolvi escrever uma homenagem a esta lâmpada valente que brilha dia e noite, há mais de dois anos… e ainda não queimou! Quem sabe assim, vendo uma lâmpada tão fiel ser homenageada, alguém faça alguma coisa para dar-lhe descanso, pelo menos durante o dia!
Aparecida Macedo
– Professora –
Esta postagem foi publicada em 5 de março de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.


