Quando James Cameron disse, faz muito, que filmaria Avatar, acharam que ele iria adaptar um desenho que envolve artes marciais e um menino quase careca e de rabicho. Sabendo que Cameron é obcecado por tecnologias novas para melhor realizar seus filmes, os fãs do desenho surtaram. Mas o Avatar de Cameron era outro, como eles ficaram sabendo, decepcionados, dez anos depois de segredo absoluto sobre a produção..
Avatar vem do hindu: é quando um deus transmuta-se em uma forma terrena, ou habita uma forma aqui já existente, que pode até ser uma pedra. Por esse sentido de surgir como outro ser, ou de habitar outro corpo, “avatar” virou termo técnico/sinônimo de vida/personalidade falsa, dentro da internet, ou seja, há jogos virtuais em que você deixa de ser você para “tornar-se” um personagem, e também é aquela “outra pessoa” através da qual você se apresenta, quando não quer se expor de verdade na net.
Cameron, para o seu Avatar, buscou a computação gráfica e dela aperfeiçoou os recursos de iluminação, a técnica de captação de movimentos, acrescentando ainda, para que tudo ficasse o mais real possível, o contraste afinado do efeito 3D. E temos então que aquilo que se vê na tela é tão possivelmente verídico quanto a realidade para a qual saímos quando o filme acaba. Cameron, dividindo águas, soprou alma ao mundo virtual.
O efeito 3D existe desde 1950, mas havia sido deixado de lado, parecia não ser possível desenvolvê-lo devidamente. Era usado apenas em certos momentos, em longa duração causava forte incômodo à visão. Se “Avatar” é o primeiro filme totalmente feito em 3D não sei dizer, mas foi o primeiro dessa linha que vi – e foi uma experiência e tanto. Estamos na transição do 2D para o 3D, assim como houve do filme mudo ao sonoro, do preto e branco à cor.
Mas penso no que virá depois e se é válida a ânsia de, através da tecnologia, dar cada vez mais realismo ao espectador. Será preciso que todos os filmes tenham que ser em 3D para que agradem e se tornem inesquecíveis? Se tudo estiver bem pontuado em seu devido lugar como se vê, por exemplo, em “Bastardos Inglórios”, creio que não.
Graças que em “Avatar” o incrível aprimoramento realista-detalhista não se sobrepõe à paulada moral e à lição de vida do roteiro de Cameron, mas as destaca.
Enfim, soube que quem acaba de filmar o desenho citado no primeiro parágrafo foi o Night Shyamalan (de “Sexto Sentido”); e que Cameron e sua ex-esposa – e ainda sócia – estão no páreo do Oscar 2009 de Melhor Filme; ele com “Avatar”, e ela com “Guerra ao Terror”.
Esta postagem foi publicada em 5 de março de 2010 e está arquivada em Colunas, Haiml & etc..


