Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 10 de julho de 2020 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Dormindo com o inimigo, por Rui Fischer

DORMINDO COM O INIMIGO

Quem gosta de cinema, já de ter visto ou ouvido falar do filme com esse título ” Dormindo com o Inimigo”. Esse filme é sobre uma mulher que sofre com sua submissão ao marido psicopata, que tem o intuíto de tornar a vida de sua esposa em um inferno com suas atitudes terroristas e, ela, aterrorizada, tem que dormir todas as noites com ele, daí o título do filme. Eu, guardada as proporções, tive uma experiência semelhante, é lógico que praticamente, não passou de uma brincadeira. Foi no final do ano de 1969, eu recém havia dado baixa do Serviço Militar, quando, junto com o amigo de décadas, Aléxio Frohlich (o Leko da Tio Patinhas), resolvemos que iríamos assistir o Gre-Nal final do Gauchão de 1969 que seria no dia 17 de dezembro, Sendo que, para o Inter bastava apenas o empate para ser Campeão daquele ano. Naquela época, não era comum os torcedores terem camisas de clubes, o que era o nosso caso. O entrave, era que, apesar de eu já ter Carteira de Motorista (CNH), que tirei no quartel, não tínhamos carro para ir ao jogo e, muito menos, carona. Resolvemos da maneira mais fácil para ir ao jogo: de ônibus de linha (pinga-pinga, por cima), é lógico e o pior, caminhando até o local do jogo: – o Beira-Rio. Porém, tivemos que resolver outro problema, eu colorado e ele gremista: partimos para o “par ou ímpar”, quem perdesse iria enfrentar a torcida adversária. Adivinhem quem perdeu? Claro…deu Rui na escolha, isso foi já dentro do pátio do estádio. Após a compra dos ingressos para a Geral, lá fomos nós na torcida tricolor, sendo que ficamos acomodados lá em cima no último degrau da geral, quase batendo a cabeça na marquize, no meio da galera gremista, em sguida o estádio encheu, já que era final do Campeonato, e nós ali, espremidos contra a marquize. Para mim, colorado, não teve muitos problemas, eis que, com uma camisa comum, não me “entregava” como ciolorado. Lá no segundo tempo, quase ao final do jogo, o Waldomiro, roubou uma bola do Everaldo, pela ponta direita, imvadiu a área e mandou para as redes: gol do Inter. Ato intuitivo, levantei, quase batendo a cabeça no teto, para vibrar com o gol, porém, alegando falta do Waldomiro em cima do lateral gremista, o árbitro anulou (injustamente) o lance. Nesse momento, para disfarçar e de  pé, gritei:” graças a Deus, o juiz anulou!” (…rs). Como o empate servia ao Inter para ser Campeão, para mim, ficou de bom tamanho, para o Leko, é lógico que não. Esse foi o primeiro título que culminou com o Glorioso Octacampeonato em 1976. Já desfeito do susto e, já flauteando o Leko, seguimos nossa “via sacra”, a pé até a rodoviária porto-alegrense. Quando chegamos em Taquara, estávamos “mortinhos”. Foi uma data, que jamais vou esquecer, e tinha que ser com meu grande amigo de 63 anos, Aléxio Frohlich, o Leko. Agora eu pergunto: não foi uma legítima situação de “Dormindo com o Inimigo” ou, melhor, minto – “Convivendo com o Inimigo”…melhor ainda: ” Na trincheira com o/ou do Inimigo” rsrsrs!

Rui Fischer
Aposentado de Taquara

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: [email protected]