A Fundação Hospitalar Dr. Oswaldo Diesel, entidade mantenedora do Hospital de Três Coroas, passou por uma intensa polêmica nos últimos dias. Isso aconteceu após a demissão de funcionárias da casa de saúde e a troca da direção técnica do hospital. Inconformado com o afastamento das funcionárias, o médico Tadeu Stringari pediu demissão do cargo de diretor técnico. Nesta segunda-feira (27), foi anunciado que o médico Paulo Azeredo, pediatra, assumirá a direção técnica do hospital. Hélder Santos, também médico em Três Coroas, assumirá a vice-direção.
Em uma publicação no Facebook, a Câmara de Vereadores de Três Coroas revelou manifestação dos médicos do corpo clínico que compõem a escala de plantões do hospital. No texto, eles manifestam veemente discordância e indignação com a decisão do presidente da Fundação, Adelar Kohn, em relação à demissão das funcionárias Gabriela Neres e Débora Moraes. “Entendemos que tal ato fora realizado sem qualquer critério técnico ou ético que justificasse o ato demissional. O estado em que o país e consequentemente o município se encontra submetido na pandemia, esses profissionais não mediram esforços para atuar na prevenção e praticando com zelo a função técnica, inclusive aplicando os testes de Covid/19 e orientação à comunidade”, acrescenta o texto.
A manifestação prossegue afirmando que a demissão das profissionais que possuem conduta ilibada e são compromissadas com sua profissão coloca o direito à saúde dos munícipes de Três Coroas em risco, “pois não tem profissional que queira nesse momento atuar diante de uma pandemia colocando expondo a sua saúde e segurança pessoal e familiar, além do hospital ficar sem RT [responsável técnica] junto ao Coren [Conselho Regional de Enfermagem]”. O texto acrescenta que Tadeu Stringari foi contrário à demissão por entender que as profissionais são competentes e com alta qualificação técnica para compor o quadro de trabalho e combate à Covid-19 e, por não concordar com o afastamento, o próprio diretor técnico também optou por se demitir da casa de saúde.
O material divulgado continua enaltecendo o trabalho de Stringari à frente da direção técnica do hospital três-coroense. Finaliza solicitando que seja reavaliada a demissão das profissionais e do próprio diretor, “uma vez que a medida fere os princípios gerais do direito fundamental à saúde, ou melhor, esses profissionais são imprescindíveis para a prestação do serviço de saúde tanto qualificação técnica e profissional, sem contar que é necessário a manutenção dessas qualificações no quadro hospitalar, tão pouco por conduta não condizente com a função”.
Neste domingo, o Conselho Curador da Fundação Hospitalar divulgou uma nota, na página do Facebook da instituição, em que menciona que o órgão é formado por representantes de diversos órgãos e entidades. “Os conselheiros Luis Sergio Saccol (Lions Clube), presidente do Conselho Curador do hospital e os membros Márcio Port dos Santos (Sindicato da Indústria), Erni Rinker (Sindicato dos Trabalhadores), Kelen Krischna Ferreira (CDL), Carla Cristina Muller (Secretaria Municipal de Saúde) e Marisa Rosa de Azevedo (Câmara de Vereadores), que se manteve ausente das tomadas de decisão por parte deste conselho, não participando das reuniões, vêm a público se manifestar sobre o ocorrido na última semana com a demissão de alguns integrantes do corpo técnico do hospital”, diz o texto.
Na nota, os integrantes do Conselho Curador afirmam que ficaram sabendo do ocorrido após as decisões tomadas pelo presidente, as quais consideraram falhas. “No entanto, não desabonamos a sua decisão, pois, após verificar os fatos, encontramos vários problemas de ordem técnica”, afirmam. O texto prossegue: “Vamos aos fatos: É notório e público que a Sra. Marisa Rosa de Azevedo solicitou ao Dr. Tadeu Stringari, então diretor técnico, a realização de teste para o Covid-19, pois a mesma havia entrado em contato com um paciente contaminado, usando da sua amizade com o Dr. Tadeu. O mesmo solicitou que as enfermeiras realizassem a coleta de material de todos os vereadores, pois a Sra. Marisa havia entrado em contato com os colegas em recente reunião. Aqui vimos várias inconsistências, dentre as quais: a) Foi coletado material fora do hospital, sendo que não é de praxe este procedimento; b) Foram usados testes adquiridos pelo hospital para o uso nos profissionais do hospital; c) O protocolo para coleta do teste utilizado foi o teste rápido, sendo imperioso destacar que a eficácia deste somente se dá mediante a realização após dez dias do contato com o contaminado, ou seja, foram desperdiçados TODOS os testes, tão preciosos e custosos nos dias de hoje, considerando que o município ultrapassa os cem casos confirmados. Outrossim, há que se destacar que alguns vereadores fizeram outro tipo de teste, o RT-PCR, na rede privada e que, felizmente, não contraíram o vírus”, acrescenta.
O texto do Conselho Curador afirma que o órgão sofreu enorme pressão da comunidade e autoridades para a demissão do presidente Adelar Krohn e retorno de Tadeu Stringari. Menciona que o diretor técnico prometeu permanecer à disposição até 31 de julho, fato que não aconteceu. Como o vice-diretor técnico do hospital Roberto Kollet também pediu afastamento, segundo o Conselho, tal fato obrigou o órgão a reformular o quadro de direção técnica. “Apesar de todos estes problemas, mantivemos a serenidade e o bom senso, realizando reuniões virtuais para encontrar a melhor forma de resolver esta intempérie. Não nos manifestamos publicamente antes de apurarmos os fatos e tomamos a decisão mais favorável no momento: a de manter o Sr. Adelar na presidência desta entidade, pois reconhecemos que tem feito um excelente trabalho a frente da fundação, tendo sido reeleito para o segundo mandato no início deste ano. Observe-se o fato de o presidente ter testado positivo para Covid-19 e ter mantido suas funções em isolamento social, na sua casa, logrando êxito em montar uma nova equipe para dar continuidade ao bom funcionamento do hospital, equipe está que será apresentada à comunidade no momento oportuno”, afirma o texto.
“Reconhecemos todo trabalho realizado pelo Dr. Tadeu e pelo Dr. Roberto, que tanto se empenharam para um bom funcionamento e mudanças importantes de infraestrutura que ocorreram no hospital durante este período que estiveram na direção técnica. Deixamos nosso agradecimento a estes profissionais valorosos que certamente deixarão saudades. Também queremos esclarecer que a fundação, desde sua criação, exonera e contrata profissionais de acordo com a sua necessidade, sendo assunto administrativo, sem interferência externa. É a primeira vez que uma questão interna toma esta dimensão”, acrescenta a nota.
Nesta segunda-feira (27), também na página da Fundação, o presidente do Conselho Curador, Adelar Krohn, também divulgou uma nota a respeito do assunto. “Primeiramente ressalto que a FHDOD é uma entidade de direito privado, sendo admitidos e afastados colaboradores conforme as necessidades, como ocorre em qualquer empresa e nunca tivemos que dar explicações sobre tal. O que nos preocupa é que em nenhum momento falte assistência à população. E assim tem sido. Diante do momento delicado que vivemos em função da pandemia do novo coronavírus, nosso quadro de funcionários foi reforçado, para que não haja nenhum prejuízo de atendimento aos nossos usuários. Os fatos apurados e apresentados em nota do Conselho Curador relatam o ocorrido, respondendo aos questionamentos feitos pela comunidade e imprensa”, diz o texto.
“Saliento o ótimo trabalho feito pelo Diretor Técnico Dr. Tadeu Stringari, que pediu afastamento. Trabalho este que deve ter continuidade com o novo diretor técnico já contratado, que deve assumir e ser apresentado à comunidade junto com novo enfermeiro responsável técnico. Por fim, agradeço ao Conselho Curador e aos demais membros da diretoria por continuarem confiando em meu trabalho à frente desta instituição. Peço desculpas pela demora em me manifestar, mas estou em isolamento me recuperando, mas ainda um pouco debilitado em função de ter contraído coronavírus”, diz Adelar Krohn.
Manifestação da Câmara
Em meio a essa polêmica, a Câmara de Vereadores de Três Coroas divulgou uma nota de repúdio sobre as demissões, considerando-as como dispensas arbitrárias, sob a ínfima justificativa de contenção de gastos, o que a Câmara publicou como sendo inadmissível em tempos de pandemia. “Sabe-se que todas as decisões da instituição quanto às admissões e principalmente quanto às demissões sempre foram discutidas pelos diretores em conjunto para que jamais houvesse injustiças como esta que estamos a presenciar”, diz o texto.


