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Vereadores pedem apuração sobre denúncias de problemas de atendimento no Hospital de Taquara

Nos últimos dias, dois relatos vieram a público, pela Rádio Taquara, sobre situações que envolvem o Hospital Bom Jesus.

As denúncias de problemas de atendimento no Hospital Bom Jesus, de Taquara, repercutiram na sessão desta semana da Câmara de Vereadores. Os parlamentares requereram diversas medidas e, em resumo, a apuração dos casos. Nos últimos dias, pelo menos dois relatos foram levados ao ar no programa Painel 1490, da Rádio Taquara, com detalhamento de situações envolvendo a casa de saúde. Os vereadores mandaram pedidos de medida à Prefeitura de Taquara sobre o assunto.

Um dos relatos, na semana passada, foi da professora Simone Goldschmitt, que teve sua mãe internada no Hospital por conta de infecção pelo novo coronavírus. Nesta semana, a mãe da professora faleceu, após, inclusive, ter sido transferida para o hospital e a informação é de que não haveria leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Na entrevista à Rádio Taquara, Simone se manifestou sobre a exigência de acompanhantes para a ala de internação Covid-19. A informação chegou a gerar, inclusive, uma recomendação do Ministério Público para que o hospital se abstenha de exigir acompanhantes, a menos nas exceções previstas em lei, para idosos e menores de idade. A Associação Vila Nova, gestora do hospital, respondeu à Promotoria que não exige acompanhantes, mas sim sugere no caso de necessidade avaliada por médicos.

O segundo relato de problemas no atendimento foi efetuado pela professora Anna Maria Macedo de Quevedo, irmã do maestro Newton Macedo, que faleceu há duas semanas por conta de infecção pelo novo coronavírus. Na entrevista, ela manifestou uma série de problemas junto ao Hospital, como respostas consideradas inadequadas dos médicos, a alta concedida ao paciente mesmo quando ele apresentava sintomas da doença, falhas na transferência para UTI, inclusive com vaga obtida junto ao Hospital de Clínicas, entre outras situações. Procurada pela reportagem do Jornal Panorama, a entidade gestora do Hospital Bom Jesus ainda não se manifestou a respeito deste relato da professora.

Na Câmara, o vereador Luis Felipe Luz Lehnen (PSDB) pediu que o assunto seja analisado pela Comissão de Saúde do Legislativo. Segundo ele, se faz necessário convidar a professora Anna para que preste informações para que os vereadores possam apurar o que ocorreu no atendimento ao professor Newon. A vereadora Mônica Faccio (PT) fez dois pedidos de providência para averiguar as denúncias relacionadas ao que considerou atendimento desumanizado prestado pelo hospital e o não seguimento dos protocolos da Covid-19. “É imperativo que possamos dar uma resposta para ambas as denúncias, tanto da família do Newton quanto da Simone, pois ambas seguem a mesma lógica, das altas por melhora. A mãe da Simone passou pelo mesmo processo que o Newton, recebeu alta, depois foi entubada em um hospital da região e agora a pouco veio a óbito”, comentou a vereadora.

O presidente da Comissão de Saúde da Câmara, Telmo Vieira (PTB), disse que acompanhou situações no hospital, na condição de pessoa próxima a uma família, que ele definiu como “cabulosas”. Contou que teve contato com a direção do hospital e o prefeito Tito Lívio Jaeger Filho sobre o assunto e mencionou que foi aprovado, na Câmara, nesta terça-feira (11), um pedido de providências para a criação de um Comitê de Acompanhamento das Ações de Combate ao Coronavírus no Hospital de Taquara. O comitê, segundo ele, seria formado por membros da Secretaria de Saúde, Conselho de Saúde e Comissão de Saúde da Câmara para o controle destas ações. O vereador considerou importante a Câmara ter o relato relacionado às últimas denúncias. O vereador Nelson Martins (MDB) solicitou que a Comissão de Saúde faça uma visita ao hospital ou que chame a direção da casa de saúde para averiguar as denúncias relacionadas aos atendimentos da Covid-19 e outras doenças, bem como o funcionamento da UTI.