
A história do professor de capoeira, Evandro Valdemar Chaves, nada tem a ver com o período Jurássico, exceto pela imagem que ele passou a apresentar nas ruas do Centro de Taquara, há pelo menos 10 dias. A reportagem da Rádio Taquara e Jornal Panorama conversou com ele na tarde desta quarta-feira (26) e descobriu que o personagem (um Tiranossauro), nesse caso, comunica muito mais fé, coragem e esperança do que perigo, como acontecia há milhões de anos. O fato é que, devido à pandemia do novo coronavírus, Evandro, mais conhecido como Jabá, perdeu o emprego e precisou se reinventar para não ficar sem renda. Como já trabalhava com o público infantil, investiu em uma fantasia de dinossauro e decidiu comercializar balas, fantasiado, para driblar o desemprego e garantir seu sustento.
Jabá contou que trabalha há mais de 20 anos nas escolas da região, especialmente em Taquara, Parobé e Igrejinha, ensinando capoeira para as crianças. Porém, com as medidas de isolamento impostas pela pandemia, as escolas fecharam e, por consequência, ele ficou desempregado. O taquarense disse que vivenciou dias difíceis, sem expectativa e de muito desânimo. No entanto, principalmente por pensar no filho de 10 anos, ele buscou forças e decidiu se reinventar. “Eu percebi que todo mundo estava vendendo alguma coisa, esse era o caminho. Mas, eu seria só mais um, caso não tivesse um diferencial. Foi então que pensei em me fantasiar”, contou o professor, que passou a vender “as balas mais gostosas do mundo”, fantasiado de Tiranossauro, no Centro de Taquara.
Segundo Jabá, ele se inspirou na criatividade e alegria dos ex-alunos. A fantasia de Tiranossauro custou R$490,00, mas representou a esperança de dias melhores. Desde que assumiu o novo emprego, ele cumpre expediente todos os dias, das 10h às 12h, e das 13h até aproximadamente 20h, 21h, dependendo do resultado das vendas. Cada pacotinho de bala custa R$2,00 e o público ainda pode tirar uma foto com ele, ou melhor, com o Tiranossauro. “Ainda não consigo avaliar o lucro, pois comecei a trabalhar nisso há poucos dias. Porém, agora tenho uma alternativa, espantei o sentimento de depressão e ainda faço muita gente sorrir pela cidade. Afinal de contas não é todo dia que se encontra um dinossauro andando por aí”, brincou Jabá.

Questionado sobre o movimento de se reinventar e sobre a exposição da nova função, o professor disse que sente muito bem. Que ninguém deve deixar de tentar viver melhor por orgulho, ou preocupação com o que os outros irão pensar. “A dica seria procurar fazer o se gosta, o orgulho só atrasa a nossa vida. E tudo o que eu já fiz e estou fazendo é pelo meu filho. Ele mora com a mãe, mas eu sou o pai do mesmo jeito. É tudo por ele”, declarou o taquarense. O professor disse que, futuramente, pensa em agregar a nova função às atividades de professor. Interessados podem contatá-lo pelo fone: (51) 995625351, ou encontrá-lo no Centro, geralmente, na rua Júlio de Castilhos.


