Polícia

Equoterapia: a técnica que colaborou com a prisão de casal acusado de assassinar menina de cinco anos

De acordo com os médicos, com o auxílio da técnica que usa o passeio com cavalos, as crianças se sentem mais soltas para relatar o que sabem sobre crimes.

A Equoterapia (perícia psíquica realizada com a ajuda de cavalos) foi essencial para desvendar o caso da menina, de cinco anos, moradora de Três Coroas, que foi morta pelos pais adotivos, segundo o Instituto Geral de Perícias (IGP).  A perícia psíquica, realizada com as duas crianças, irmãs da vítima fatal, foi fundamental para a prisão preventiva do casal, pelo assassinato da menina, que ocorreu no dia 21 de julho e foi registrado no município de Gravataí.

Equoterapia facilita o contato com as crianças e a realização da perícia – Foto: BM/IGP

As três crianças são irmãs e foram adotadas juntas pelo casal. Uma das crianças foi atendida em um posto de saúde, onde os responsáveis alegaram que ela teria sofrido uma queda. A necropsia, realizada no Departamento Médico-Legal, apontou que a causa da morte foi asfixia, e revelou também que ela foi abusada sexualmente, conforme o IGP.

As duas crianças que permaneciam com o casal foram ouvidas por assistentes sociais, mas, de início, forneceram poucas informações. Elas foram então encaminhadas para o Crai – Centro de Referência e Atenção Infanto-Juvenil do IGP, onde foi realizada a perícia psíquica. A escuta, feita por peritos criminais psicólogos e peritos médicos-legistas psiquiatras, é realizada quando crianças são vítimas ou testemunhas de crimes. O atendimento aplica protocolos internacionalmente reconhecidos, que visam obter informações, sem impor sofrimento aos menores.

EQUOTERAPIA

No caso das duas meninas, a perícia psíquica foi realizada com a ajuda de cavalos. A técnica utiliza a equoterapia como forma de abordagem das crianças periciadas. Os passeios, de cerca de uma hora, são realizados no 4° Regimento de Polícia Montada, da Brigada Militar. Depois de concluídos, as crianças se sentem mais soltas para relatar o que sabem dos crimes.

“O trabalho com o cavalo como facilitador permite acessar melhor os conteúdos da memória da criança, com maior qualidade e quantidade de informações” afirma a perita médico-legista Angelita Machado Rios, que desenvolveu a técnica e a tem aplicado com crianças que testemunham feminicídios.

“O trabalho do IGP foi muito profissional e técnico, o que contribuiu bastante para o desfecho da investigação” afirma Eduardo do Amaral, titular da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Gravataí, que havia dado início à apuração.