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Esta postagem foi publicada em 18 de setembro de 2020 e está arquivada em Tudo por Acessibilidade.

Não adianta ser carregado por alguém , por Cassi Gottlieb

Não adianta ser carregado por alguém

Desfrutar de um momento prazeroso, é uma das maiores sensações de bem estar que pode existir. Ser deixado de lado em função de uma limitação, coibido de poder vivenciar momentos de felicidade, trás um sentimento oposto ao que pode ser alegre.

A mente humana é a parada mais louca do universo. Ela pensa 1000 coisas ao mesmo tempo. Sente desejos, vontades, nem todas obedecidas pelo corpo. O ser humano possui barreiras físicas, umas mais intensas que outras, que conduzem para necessidades diferentes.

Eu sempre amei praia, areia, aquela brisa que só o litoral possuí. E óbvio, sempre quis o mar. Adoraria estar nele.

Aí você pode me perguntar:

– “Ué, mas você não entra no mar? Hoje existem várias cadeiras adaptadas para isso”

Sim, verdade. Porém, você que joga bola, gostaria que alguém chutasse por você?

Ou você que leva sua namorada ao cinema, quer ter uma terceira pessoa assistindo o filme entre vocês? Momentos bons não adiantam apenas serem realizados fisicamente.

Precisam ser sentidos. Não me basta entrar no mar sendo carregado ou segurado por alguém. Eu adoraria viver aquilo, mas com independência, a sensação não é a mesma de quem caminha sem cadeira.

E está tudo bem. Assim como pode ter pessoas que vão adorar essa experiência. Eu prefiro a segurança da areia, do sol, da atividade que eu sei que poderei de fato dividir a mesma sensação com as pessoas ao meu redor.

Sem ter a intenção, por vezes tratam pessoas com essas dificuldades, como “abobadas” e não privilegiadas.

Quero dizer com isso, que na vida não precisamos seguir os mesmos comportamentos e atividades para sentir o mesmo prazer.

Quando bater aquela angústia, a sensação de que algo está faltando, pense no que pode ser feito para ocupar o vazio deixado. Não irá substituir uma ausência, mas vai acrescentar um momento feliz, um sentimento que a mente e o coração não vão deixar espaço para tristeza.

Agora, não se preocupe se a tristeza por vezes ocupar território. Faz parte dessa bagunça chamada cérebro. No final sempre fica tudo bem.

Por Cassiano Gottlieb, de Taquara
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